Sobre a autora[1]
INTRODUÇÃO
O ensino de História é um campo de estudos que tem crescido consideravelmente no
Brasil nas últimas décadas. Os materiais analisados são de caráter variado
incluindo livros didáticos, programas curriculares e educacionais até projetos
de ensino elaborados no interior das escolas. A preocupação dos estudiosos da
área se concentra em vários aspectos que dizem respeito à cultura escolar em
geral e sua relação com outras culturas. Para o estudo parto da noção de cultura
escolar tal como formulada por Dominique Julia. Para esse autor, poder-se-ia
descrever a cultura escolar como:
um conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar e condutas a
inculcar, e um conjunto de práticas que permitem a transmissão desses
conhecimentos e a incorporação desses comportamentos; normas e práticas
coordenadas a finalidades que podem variar segundo as épocas (finalidades
religiosas, sociopolíticas ou simplesmente de socialização).[2]
O diálogo com estudos que também partem dessa noção é importantíssimo neste
trabalho uma vez que coloco o ensino de História como o problema da pesquisa.
Dentro desse campo enfatizo aqui o ensino de História da América e o espaço
reservado a essa disciplina dentro do Novo Currículo da Escola Estadual criado
pela Secretaria de Educação do Estado do Espírito Santo em 2009.
Por se tratar de um documento oficial, tenho em mente que a análise que faço não
corresponde à realidade da prática escolar, mas é um grande revelador das
disputas de significação do passado no presente e reflexo, em certa medida, das
relações de poder entre Estado e sociedade. Assim, o estudo do conteúdo e das
diretrizes de tal documento proporciona um panorama do ensino de História no
estado do Espírito Santo e da importância, ou não, que o governo do mesmo estado
reserva ao estudo da História, em especial da História da América.
Para tanto divido o trabalho em dois momentos. O primeiro diz respeito à
elaboração, conteúdo e diretrizes do Novo Currículo da Escola Estadual para a
História levando em conta que se trata de um documento oficial e as suas
implicações. Num segundo momento penso especificamente o ensino de História da
América dentro desse novo currículo. Nesse ponto discuto a história da
disciplina de História da América no Brasil desde a constituição da História
como disciplina escolar trazendo essa reflexão para atual realidade do ensino
dessa disciplina no Espírito Santo. Levanto, assim, três pontos principais: o
espaço reservado para a História da América no currículo, quais são os temas de
História da América contemplados pelo documento e a relação entre a História
ensinada nas escolas e a História produzida nas universidades.
A PROPOSTA CURRICULAR DE HISTÓRIA NO NOVO CURRÍCULO DA ESCOLA ESTADUAL DO
ESPÍRITO SANTO
O Novo Currículo da Escola Estadual criado em 2009 pela Secretaria de Educação
do estado do Espírito Santo (SEDU) é resultado de intensos debates promovidos
pela própria Secretaria no sentido de que se criasse uma nova proposta de
currículo que estivesse preocupada com as demandas e realidades da escola
pública estadual. Os debates ocorreram entre os anos de 2004 e 2006 por meio de
seminários promovidos pela SEDU com o objetivo de debater uma política pública
para educação como direito. Nos anos de 2007 e 2008 os debates se intensificam
com a participação de milhares de professores da rede estadual de ensino,
pedagogos, professores convidados, consultores e integrantes de movimentos
sociais no intuito de se elaborar um currículo que servisse de orientação para
os docentes que considerasse as especificidades da região em que as escolas
estavam instaladas.
A idéia era a de que esse novo currículo promoveria um fortalecimento da
identidade estadual de ensino sem, no entanto, fugir das orientações dos
documentos do Ministério da Educação (MEC) como os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCNs). Isso pode ser vislumbrado nas categorias norteadoras do
documento criado pela SEDU como as noções de ciência, cultura e trabalho.
Num estudo sobre as propostas curriculares para a História, Circe Bittencourt
aponta que a presença desses conceitos, em especial os conceitos de cultura e
trabalho, merece destaque como sinais de inovação nas propostas curriculares
resultante da influência da História Cultural como fonte de referência
bibliográfica.[3]
No caso do Espírito Santo não é possível afirmar tal vinculação devido a não
indicação explícita das correntes historiográficas que compõem o documento. A
essa dificuldade somam-se outras que dizem respeito aos sujeitos que elaboram
esse tipo de documento, que freqüentemente vem sem indicação da autoria. A
tendência, a qual o Espírito Santo se vincula, e que predomina para a elaboração
desse tipo de proposta é de unir técnicos das secretarias de educação,
professores da rede pública e da universidade por meio de assessorias ou outras
colaborações, o que implica uma concepção de disciplina escolar que se constitui
a partir da ciência de referência e necessita da legitimidade acadêmica.[4]
Outro ponto de confluência entre o novo currículo da SEDU e os PCNs é a divisão
dos conteúdos em eixos temáticos aonde se espera que o aluno desenvolva suas
competências e habilidades. Dessa forma, mais do que ensinar os conteúdos
especificamente, espera-se que o aluno esteja preparado para enfrentar situações
da vida cotidiana e que, sobretudo, esteja preparado para o mercado de trabalho.
Competências e habilidades são definidas da seguinte maneira no documento:
As competências são entendidas como a capacidade de agir em situações previstas
e não previstas, com rapidez e eficiência, articulando conhecimentos tácitos e
científicos a experiências de vida e laborais vivenciadas ao longo da vida. As
habilidades são entendidas como desdobramentos das competências, como parte que
as constituem. Comumente expressam a forma de o aluno conhecer, fazer, aprender
e manifestar o que aprendeu.[5]
Assim, esse novo currículo demonstra que o desenvolvimento dessas habilidades e
competências está em primeiro plano no que diz respeito ao ensino, ficando os
conteúdos das disciplinas escolares como auxiliares no processo de
desenvolvimento desses quesitos que, de alguma forma, estão intrinsecamente
ligados à lógica de mercado. Mais do que preparar um cidadão, enfatiza-se uma
formação do aluno com vistas a enfrentar a realidade e a demanda do mercado de
trabalho.
Outro ponto importante a se destacar com relação ao novo currículo da SEDU que
aparece como elemento inovador na nova proposta é a definição do Conteúdo Básico
Comum (CBC) de cada disciplina da educação básica. O CBC consiste em uma parte
de cada disciplina que é considerada obrigatória em todas as escolas da rede
estadual. Essa proposta, como diz o próprio documento, indica que há um conteúdo
básico de cada disciplina que é necessário para a formação da cidadania e que
precisa ser aprendido por todos os estudantes da educação básica da rede
estadual, correspondendo a 70% do que deverá ser ensinado nas escolas, os outros
30% dizem respeito a conteúdos complementares que se insiram na realidade
regional, social e cultural da localização da escola.
Uma análise, portanto, dos conteúdos contemplados pelo CBC da disciplina de
História é um bom indício da perspectiva para o ensino da mesma indicada pela
SEDU. Ainda dentro desse ponto é possível vislumbrar quais são os conteúdos
privilegiados e pensar os motivos para que os mesmos tenham sido inseridos no
CBC de História.
Uma primeira constatação dessa análise repousa sobre a concepção de História que
é defendida no novo currículo. Ao colocar a História no âmbito das disciplinas
escolares, o novo currículo da SEDU evidencia uma prática que alguns teóricos do
campo do ensino da História vêm apontando em trabalhos recentes, qual seja a de
enfatizar uma relação direta entre o saber histórico acadêmico e o saber
histórico escolar. Essa dicotomia esteve presente e ainda permanece em muitos
currículos e trabalhos sobre ensino de História.[6]
Em um trabalho sobre a história das disciplinas escolares, André Chervel mostra
como esse tipo de abordagem vê a escola apenas como um repositório e local de
ensino das "ciências as quais fizeram suas comprovações em outro local".[7]
Como contribuição ao debate acerca da especificidade da disciplina escolar
Chervel aponta ainda que:
A concepção de escola como puro e simples agente de transmissão de saberes
elaborados fora dela está na origem da idéia, muito amplamente partilhada no
mundo das ciências humanas e entre o grande público, segundo a qual ela é, por
excelência, o lugar do conservadorismo, da inércia, da rotina. Por mais que ela
se esforce, raramente pode-se vê-la seguir, etapa por etapa, nos seus ensinos, o
progresso das ciências que se supõe ela deva difundir.[8]
A crítica de Chervel a essa concepção de disciplina escolar repousa na idéia de
que a disciplina escolar consiste de uma realidade e função muito diferente do
que é produzido nas universidades. Ver a escola apenas como um espaço de
vulgarização do conhecimento acadêmico é segundo este autor, um equívoco.
O novo currículo da SEDU não apenas coloca a disciplina escolar na dependência
do saber acadêmico, como também inclui as noções de pesquisa e metodologia aos
moldes universitários dentro do CBC de História. Isso pode ser exemplificado
pelo conteúdo proposto no CBC de História para a 5ª série do ensino fundamental.
Os tópicos com os temas a serem estudados são: 1) A História e o ofício do
historiador; 2) História, memória e instituições de guarda; 3) Memória enquanto
direito humano. História como processo em construção; 4) Noção de documento.
Noção de verdade histórica. Contagem do tempo cronológico e suas diferentes
periodizações.
Um primeiro olhar sobre esses temas juntamente com a apresentação do que se
espera da disciplina de História na escola revela que a própria construção do
documento seguiu, em certa medida, os debates travados por diferentes correntes
historiográficas e por vários historiadores como a necessidade de refletir as
mentalidades, o cotidiano, representações e práticas culturais. Outro exemplo
dessa relação é a justificativa de uma História temática no sentido de fugir de
uma História tradicional, positivista, para uma História problema, reflexo das
interferências dos debates historiográficos na elaboração dos currículos no
Brasil, principalmente da História Cultural francesa e da Nova História
Cultural.
A organização do CBC de História segue a linha do documento dividindo os
conteúdos de acordo com as temáticas da ciência, da cultura e do trabalho
enfatizando quais são as competências e habilidades que se espera dos alunos de
acordo com a série. As competências dividem-se, respectivamente, em: 1)
História, sociedades e trabalho; 2) Sociedades, culturas e relações de poder; 3)
Relações de poder, nações e identidades; 4) Relações de poder, nações e
cotidianos.
Como ponto positivo pode-se destacar que a divisão temática dos conteúdos
históricos possibilita que o professor faça uma adequação dos mesmos de acordo
com a realidade social, regional e cultural dos alunos tornando a relação
passado-presente mais dinâmica fugindo da tão criticada linearidade no ensino de
História.
A existência de um documento como um currículo oficial para orientar o ensino
das disciplinas escolares permite que os pesquisadores tenham acesso aos
aspectos formais do ensino. Assim sendo, a análise do novo currículo da escola
estadual e, de maneira especial dos CBCs possibilita a construção de um panorama
das perspectivas de ensino no estado do Espírito Santo. Essa análise não pode
ser feita, contudo, sem as devidas ressalvas por se tratar de um currículo
formal e da própria estrutura e objetivos do currículo.
Com relação à disciplina de História é possível ainda destacar o ensino de
determinados conteúdos em particular que integram a disciplina. Um exemplo é
pensar o espaço reservado aos temas da História da América nesse novo currículo
e discutir criticamente a presença ou ausência de alguns conteúdos considerados
fundamentais no processo de aprendizagem e de criação de uma identidade para o
indivíduo.
O CONTEÚDO BÁSICO COMUM DE HISTÓRIA DA AMÉRICA NO NOVO CURRÍCULO DA SEDU
Um estudo mais atento da estrutura que definiu a elaboração do novo currículo da
escola estadual do estado do Espírito Santo revela os resultados da aplicação de
um currículo dividido em habilidades e competências. Uma conseqüência mais
visível é o prejuízo dos conteúdos históricos em detrimento do desenvolvimento,
por parte dos alunos, das competências e habilidades requeridas para cada série.
O CBC de História, por exemplo, que deveria ser o orientador dos professores no
sentido de estabelecer aqueles conteúdos históricos que não podem ficar
excluídos do processo de aprendizagem mostram uma seleção muito rígida dos
conteúdos. Além de privilegiar os conteúdos referentes à história do Espírito
Santo, o novo currículo deixa muitos temas históricos de fora do CBC.
No que diz respeito à tradicional divisão da História em períodos, percebe-se
que um pouco de cada parte da História é contemplada no currículo. Objetivando
analisar o espaço e temas de História da América presentes nesse currículo tal
parte do CBC será privilegiada. Para tanto é necessário ainda entender o
significado de discutir a História da América nas escolas públicas brasileiras,
o que demanda que se trace o percurso dessa disciplina desde a constituição da
História enquanto disciplina escolar no Brasil no século XIX. Somente através
desse processo de historicização da disciplina é possível evidenciar as
conquistas, perdas e disputas políticas e de significação que envolve a inserção
ou a ausência de certos conteúdos nos currículos oficiais escolares.
A História enquanto disciplina escolar passa a ocupar os quadros de ensino das
escolas públicas brasileiras e tem a função, a princípio, de auxiliar na
construção de uma identidade nacional. Dentro da disciplina de História, a
América fazia parte dos estudos da História Universal conforme se verifica nos
Planos de Estudos do Colégio Pedro II anteriormente apresentados.[9]
No início do regime republicano começa a ocorrer disputas em torno da ampliação
dos estudos de História da América por parte de um grupo liderado por Manuel
Bonfim no Rio de Janeiro. A partir de 1951, por intermédio de um programa
oficial, o ensino de História da América tornou-se obrigatório para a 2ª serie
ginasial. A História da América, ao ser dado separadamente da História do
Brasil, não possibilitava um estudo sincrônico e, portanto, de difícil
entendimento da inserção do Brasil em uma história americana. Restava a
possibilidade dos alunos apreenderem o sentido de uma identidade
latino-americana à qual o Brasil não pertencia.[10]
Após um período de ausência durante o regime militar, o estudo da história
americana foi retomado no final dos anos de 1970 e tinha como finalidade
entender a inserção do Brasil no sistema capitalista e, principalmente, opunha
uma América atrasada daquela desenvolvida representada pelos Estados Unidos.[11]
Outra constatação com relação à disciplina História da América no Brasil é que
a crescente presença econômica dos Estados Unidos
desde a Primeira República, assumindo durante o período Vargas a preeminência
que antes cabia aos ingleses, bem como a aproximação do governo brasileiro com
Washington, sobretudo com a Política da Boa Vizinhança de Roosevelt e o final da
II Guerra, compelia os estudantes a conhecer mais sobre a história do nosso
vizinho do Norte. Vivia-se, além disso, a era do pan-americanismo, um projeto
político que apregoava a unidade do continente em nome da preservação dos seus
valores.[12]
Iniciativa que embora ampliasse os estudos da história americana no Brasil,
permanecia no âmbito da formação das identidades, não mais a nacional, mas uma
identidade para o continente americano tendo como referência os Estados Unidos.
A inclusão da disciplina de História da América no ensino secundário no Brasil,
na década de 50, foi uma decorrência de fatores externos à cultura escolar. De
um lado, a necessidade de organizar um sentimento de americanidade, tendo em
vista a posição da América no contexto da guerra fria; de outro, a necessidade
de fortalecer uma unidade nacional,
respaldada
na construção de uma imagem do Brasil no continente americano.[13]
A unidade americana que é proclamada nesse discurso pan-americano foi construída
sob uma América dividida, fragmentada, composta de uma nação "superior", modelo
a ser copiado por outras "inferiores" ou "atrasadas". Os valores transmitidos à
cultura escolar pelos livros didáticos de História da América fortaleceram como
afirma Cirstoli, Dias e Veríssimo, "um "nós" brasileiro, voltado para a
construção da unidade da nação brasileira, apontando para um projeto civilizador
identificado com os Estados Unidos". Uma grave conseqüência desse projeto é que
mais uma vez não se deixa um espaço reservado para as outras nações da América
do Sul, por exemplo, que não tem suas histórias, culturas inseridas nos
currículos escolares.
Outro indicativo dessa ausência de uma história dos países latino americanos
pode ser vislumbrado nos livros didáticos. Segundo Koling,
ainda predomina a visão de que a América, da qual o Brasil faz parte, não tem
história, mas entra para a história a partir da Europa. Basta verificar o índice
dos livros didáticos para se perceber que não há uma nem várias histórias das
Américas, e sim uma expansão européia que, a partir 1492, conquista e
ocidentaliza terras e povos deste continente. "A invenção da(s) América(s)
permanece, enquanto produto europeu, na produção historiográfica que reproduz,
desde os cronistas, uma história do Ocidente", inclusive quando trata dos temas
das sociedades ameríndias antes de 1492 ou suas ações durante o processo da
conquista.[14]
Um bom exemplo dessa realidade pode ser encontrado no CBC de História do novo
currículo da SEDU. Entre os tópicos que dizem respeito à História da América
para a 6ª série do ensino fundamental a mesma aparece como uma conseqüência da
expansão marítima, sendo incluído ai a natureza e os povos da Europa na visão
dos nativos e a natureza e os povos da América na visão dos Europeus. Além de
reforçar o pressuposto de que a América não possui uma história específica,
ficando a mesma subordinada à história européia, o documento deixa escapar a
possibilidade de incluir as fontes dos povos americanos, registros deixados por
eles que expressam como eles viam a si mesmos. Perde-se a possibilidade de
tentar construir junto com os alunos uma história dos povos americanos escritas
por eles mesmos a partir de fontes escritas e arqueológicas que se tem acesso,
tentando assim fugir das abordagens tradicionais baseadas apenas em cronistas
europeus.
No que diz respeito aos temas de História da América presentes no CBC de
História para a 5ª série, por exemplo, o tema é sobre os primeiros habitantes do
Espírito Santo e exige-se que se discuta o contexto brasileiro e americano desse
mesmo período, o mesmo ocorre com os temas da origem do mundo, discutir os mitos
dos indígenas brasileiros e dos indígenas americanos. A Europa medieval e o que
acontecia na América nessa época.
Esse modelo é padrão no CBC, coloca-se o tema e a partir dele várias questões
são discutidas, principalmente seguindo a linha de uma história comparativa
entre as diversas experiências históricas do Brasil e do restante do continente
americano sem levar em consideração as especificidades de cada país.
O espaço reservado para os temas de História da América no novo currículo é
muito pequeno, uma realidade da maioria dos currículos e livros didáticos no
Brasil. Um agravante é a própria estrutura do currículo em competências e
habilidades que coloca os conteúdos em particular como secundários no processo
de aprendizagem. Além da presença de poucos conteúdos de História da América no
CBC de História uma outra constatação é que os temas presentes ainda permanecem
sendo os comumente contemplados pelos livros didáticos: a América no período da
expansão marítima, administração colonial, formas de trabalho na América fazendo
comparação com o caso Brasileiro, a América espanhola e suas relações de
produção, movimentos de independência da América Latina, Guerra do Paraguai,
ditaduras na América Latina.
Nesse caso, esses conteúdos reforçam o ensino de História da América como um
apêndice da história européia, ou seja, sua história só começa a partir da
expansão marítima e da chegada dos europeus no continente. Outra conseqüência
dessa divisão é a ausência das histórias nacionais dos países da América Latina
no geral que reforça a visão de que a América não possui uma história própria. O
resultado disso é que, como já constatara Virgínia Rodrigues e Silva, os
alunos continuam sabendo pouco, quase nada, sobre os vizinhos de continente: sua
história, sua cultura, sua realidade.[15]
A imagem construída pelos alunos dos outros países do continente americano
continua sendo marcada por estereótipos reforçados por filmes e outras mídias.
Romper com essas representações é um grande desafio que demanda ao mínimo uma
revisão dos conteúdos dos livros didáticos e dos currículos oficiais, além de um
comprometimento maior no sentido de considerar os temas da História da América
parte de uma história que é construída por cada um dos países que compõe o
continente americano considerando, contudo, a singularidade de cada nação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONTE:
Currículo Básico da Escola Estadual do Espírito Santo. Vitória: ES, SEDU, 2009.
Disponível em: http://www.educacao.es.gov.br/
BIBLIOGRAFIA
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SILVA, Virgínia Rodrigues e. O ensino de História da América no Brasil.
Diálogos, DHI/PPH/UEM, v. 8, n. 2, p. 83-104, 2004.
[1]
Aluna de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em História Social das
Relações Políticas da Universidade Federal do Espírito Santo.
Pesquisadora do Laboratório de Estudos em História Políticas e das
Idéias (LEPHI-UFES). Bolsista CAPES.
[2] JULIA, Dominique. A cultura escolar como
objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação.
Campinas: SP: Editora Autores Associados. Nº 01, p. 09-45,
jan./jun. 2001. p. 10.
[3] BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Propostas
curriculares de História: continuidades e transformações. In: BARRETO,
Elba Siqueira de Sá. Os currículos do ensino fundamental para as
escolas brasileiras (Org.). 2ª Ed. Campinas: SP, Autores Associados;
São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 2000. p. 151.
[5] Currículo Básico da Escola Estadual do
Espírito Santo. Vitória: ES, SEDU, 2009. Disponível em:
http://www.educacao.es.gov.br/. p. 28.
[6]
Existem trabalhos que se direcionam particularmente no sentido de
desfazer essa dicotomia entre o que é produzido nas universidades e o
que é ensinado nas escolas. O resultado, geralmente, é a inserção de
novas abordagens historiográficas no âmbito do ensino escolar. Um
exemplo disso é o projeto de pesquisa desenvolvido pelo curso de
História da Unifra juntamente com professores da rede estadual e
municipal. Para o desenvolvimento do projeto os idealizadores
propuseram: "(...) reuniões quinzenais no Laboratório de História. Num
primeiro momento, foram realizadas sessões de estudo e discussões sobre
as novas abordagens teórico-metodológicas, a fim de pensar as renovações
que vêm ocorrendo no campo historiográfico, em particular em História da
América, a fim de auxiliar no embasamento e na construção de
instrumentos mais eficazes e didaticamente mais compatíveis com a
realidade atual apresentada não só pelas renovações que citamos, mas
também pelas mudanças operadas no seio do conhecimento histórico;
mudanças essas que o ensino fundamental e as escolas não podem
prescindir se temos o ensino básico como pressuposto da formação cidadã
e crítica dos alunos". CARVALHO, Daniela Vallandro de. e MEDEIROS,
Elisabeth Weber. O ensino de História da América Latina a partir das
novas abordagens historiográficas. In: XII Jornada Nacional de
Educação, 2006, Santa Maria / RS. Anais da II Jornada Nacional de
Educação, 2006. v. 1. p. 05.
[7]
CHERVEL, André. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um
campo de pesquisa. Teoria & Educação. Porto Alegre, n º 02, p.
177-229, 1990. p. 180.
[9] BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino
de história da América: reflexões sobre problemas de identidades.
Revista Eletrônica da ANPHLAC. São Paulo, Nº 04, p. 5-16, 2005.
Página da citação 03.
[11] BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino
de história da América: reflexões sobre problemas de identidades.
Revista Eletrônica da ANPHLAC. São Paulo, Nº 04, p. 5-16, 2005.
Página da citação 06.
[12]
SILVA, Virgínia Rodrigues e. O ensino de História da América no Brasil.
Diálogos, DHI/PPH/UEM, v. 8, n. 2, p. 83-104, 2004. p. 92.
[13]CRISTOFOLI,
Maria Silva; DIAS, Maria de Fátima Sabino; VERÍSSIMO, Marise da
Silveira.
Trajetória e perspectivas do ensino de História da América: reflexões a
partir do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa em Ensino de História e do
Acordo de Cooperação Brasil - Argentina.
. Revista Eletrônica da ANPHLAC. São Paulo, Nº 04, p. 16-35,
2005. Página da citação 04.
[14]
KOLING, Paulo José. O ensino de História da América na educação básica:
reflexões a partir de livros didáticos e obras utilizadas em escolas
públicas no Oeste do Paraná. In: Anais Eletrônicos do VIII Encontro
Internacional da ANPHLAC. Vitória: ES, 2008. p. 03.
[15]
SILVA, Virgínia Rodrigues e. O ensino de História da América no Brasil.
Diálogos, DHI/PPH/UEM, v. 8, n. 2, p. 83-104, 2004. Página da
citação 103.