ISSN 1807-1783                atualizado em 24 de maio de 2011   


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Comportamentos familiares entre imigrantes e descendentes de italianos no município de Campo Largo PR (1878-1937) (Parte 1)

por Fábio Augusto Scarpim

Sobre o autor[1]

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O presente artigo tem como objetivo analisar o impacto da emigração nas formações familiares em um grupo de imigrantes italianos que integraram uma paróquia no município de Campo Largo (PR) no final do século XIX e início do XX, por meio da análise dos registros paroquiais.

Os estudos de história da família tem se desenvolvido a partir da segunda metade do século XX, especialmente com o surgimento da Demografia Histórica. Foram os questionamentos sobre a situação da família na atualidade, sobretudo, que levou muitos estudiosos a problematizar esse tema. Com a emergência da “Nova História”, houve uma pluralização de temas e abordagens no campo historiográfico e, assim, diferentes metodologias vêm sendo utilizadas na produção do conhecimento histórico. Em parte, em função dessas mudanças, estudos interdisciplinares são cada vez mais comuns onde há a preocupação constante em resgatar a atuação das massas anônimas na história.[2] Nesse sentido a história da família tem se constituído em um terreno fértil para analisar comportamentos dos sujeitos comuns da história. A associação de abordagens demográficas e antropológicas, por exemplo, permitem analisar o ciclo vital, os relacionamentos familiares (internos e externos), a vida doméstica e os comportamentos coletivos.[3]

Os sujeitos da pesquisa em questão são imigrantes e descendentes de italianos do município de Campo Largo no Paraná no período de 1878 a 1937. O referido município situado nas proximidades de Curitiba tem um crescimento populacional significativo com a vinda de centenas de imigrantes europeus nas décadas finais do século XIX, especialmente muitas famílias de camponeses do Vêneto que estavam fugindo do cenário de miséria encontrado nessa região, em função das transformações ocorridas por conta do avanço do capitalismo no campo.

A base documental utilizada para analisar os comportamentos familiares é formada basicamente por registros paroquiais (atas de casamento e batismo que foram sistematizados pela metodologia FLEURY-HENRY de reconstituição de famílias , oriunda da demografia histórica. Considerando que, todo o indivíduo passa os momentos essenciais de sua vida, isto é, o nascimento, o casamento e a morte diante do cura de sua paróquia ou do cartório de sua cidade, o princípio básico dessa metodologia consiste no agrupamento em fichas especiais de todas as informações relativas a estes eventos. Reconstituir famílias, consiste, portanto, em reagrupar sobre uma ficha nominal padronizada – a ficha de família – todas as referências individuais arroladas nos arquivos paroquiais e cartorários. A essas referências sobre o ciclo dos indivíduos que constituem cada unidade familiar podem e devem ser acrescentadas todas as informações relativas ao casal, a família ou aos seus membros, obtidos em documentos diversos.[4]

Ao se instalar no novo meio essas famílias procuraram se reorganizar na sociedade de adoção como uma comunidade étnica, pautada pelos seus referenciais da terra de origem. Embora a mudança venha acompanhada de um grande corte, que separa o mundo conhecido do desconhecido, ela não significou a perda das referências socioculturais e simbólicas do local onde eles foram socializados, muito pelo contrário, as atitudes dos diversos grupos que para cá migraram foi no sentido de reconstruir a nova vida na sociedade receptora, firmemente ancorada nas estruturas que lhes eram conhecidas. Por outro lado, não podemos afirmar que a reconstrução da aldeia camponesa nas colônias italianas tenha ocorrido dentro de um processo simples e contínuo, muito pelo contrário, a emigração impôs a necessidade de arranjos para a re-elaboração das novas relações sociais e dos novos espaços. Nessa perspectiva a família foi uma das esferas em que a emigração teve um impacto mais forte.

Atualmente quando falamos em família, rapidamente pensamos no casal e os filhos, ou ainda em um conjunto de pessoas ligadas entre si pelo casamento ou filiação. Da mesma maneira, como consequência dessa concepção, imaginamos esses indivíduos vivendo juntos sob um mesmo teto. Entretanto, esse modelo de família, chamada pelos demógrafos de família nuclear, nem sempre foi dominante e, em muitas regiões, pode ser um fenômeno muito mais recente do que se imagina.

Conforme aponta Jean-Louis Flandrin, a leitura dos dicionários franceses e ingleses dos séculos XVI e XVII revela que o conceito de família estava dividido entre a ideia de residência comum e a de parentesco, que se encontram unidas na definição que é hoje mais corrente. A palavra evocava de fato, com muito mais frequência, um conjunto de parentes que não moravam juntos e designava também, frequentemente, um conjunto de pessoas que coabitavam e que não estavam necessariamente ligadas pelo sangue ou pelo parentesco.[5] Nesse sentido, a definição de família para o passado não pode ser reduzida a uma simplificação, muito pelo contrário, torna-se bastante complexa e envolve uma diversidade de arranjos possíveis.

Naa últimas década, estudos de diversos demógrafos e historiadores da família propuseram uma nova abordagem de modo a contestar os tradicionais modelos explicativos propostos por J. Hajnal e P. Laslett que dividiram a Europa pré-industrial em padrões.[6] A teoria de que o continente europeu teve um único padrão de nupcialidade, é em parte, pautada na crença de que o desenvolvimento demográfico tem sido uniforme. Entretanto, alguns trabalhos, como aqueles de Robert Rowland, têm sugerido que o modelo de casamento europeu tem se desenvolvido regionalmente e não necessariamente de maneira cronológica, contestando assim as tipologias propostas pelos dois autores citados. [7]

A Itália, assim como outras regiões do continente, constitui exemplos da impossibilidade de se definir modelos únicos de padrões de organização. Há inconsistências na definição de um sistema familiar em particular, como, por exemplo, sinais da presença de casamento tardio em conjunção com altas proporções de domicílios complexos, e de taxas expressivas de celibato coexistindo com a presença de idade precoce ao primeiro casamento, baixas taxas de celibato e domicílios simples. No caso do sul da Europa, a coexistência de diferentes comportamentos dificulta a percepção de que há um único padrão mediterrânico.[8] Assim, não se pode encaixar regiões que apresentam diferentes características dentro de um modelo único de desenvolvimento demográfico. É necessário levar em consideração os determinantes culturais e econômicos nos comportamentos referentes à composição dos domicílios e aos padrões de casamento.

Essa coexistência de padrões diferenciados de organização familiar é bastante evidente no norte da Itália, o qual engloba o Vêneto. Essa região é tão rica na diversidade de situações que faz dessa península um dos casos mais significativos da Europa, para se acessar o impacto da vasta gama de fatores ecológicos, econômicos, demográficos e culturais na estrutura dos domicílios e na vida familiar.[9] Segundo alguns autores, em nenhuma outra parte do continente é possível mover-se tão rapidamente por uma sucessão de zonas ecológicas distintas, que ajudam a explicar as variações nas formações familiares e os diferentes níveis demográficos.

O Vêneto está situado na porção norte da península e engloba oito províncias (Vicenza, Treviso, Belluno, Udine, Verona, Rovigo, Pádua e Veneza). Quatro províncias estão situadas, em sua maior parte, nas áreas de montanha (Vicenza, Treviso, Belluno e Udine) como as outras quatro (Verona, Rovigo, Pádua e Veneza) compreendiam as planícies do vale do Pó. Assim, a topografia das terras no Vêneto também determinava como esta era ocupada (pequenos proprietários ou bracciantis[10] trabalhando para os grandes proprietários) e, consequentemente, o tipo de família.

As áreas de montanhas, pelo seu próprio relevo, eram caracterizadas por uma baixa quantidade de terras produtivas, sendo ocupadas basicamente por pequenos proprietários.[11] Nesse tipo de organização, não só para a Itália, mas também para a Europa em geral, antropólogos e historiadores têm sugerido que eram evitadas a fragmentação e partilha da propriedade. Dessa maneira, predominavam as famílias tronco (famille-souche), na qual conviviam por longos períodos num mesmo domicílio três ou até quatro gerações.[12] Entretanto, alguns autores têm sugerido que a divisão da propriedade era evitada porque as áreas de montanhas eram ligadas por uma imbricada combinação, que incluía: pastagens, bosques, áreas de cultivo e prados, cujo equilíbrio não poderia ser rompido pela subdivisão.[13] Sendo assim, era comum muitos dos irmãos, depois de casados, continuarem a morar na propriedade paterna, inclusive, convivendo juntos por anos ou até mesmo décadas, após a morte do pai. Diferentes tipos de comportamentos familiares faziam com que as regiões montanhosas do norte da Itália possuíssem altas taxas de domicílios complexos, com diferentes regras de residência. [14]

Aparentemente essa organização parece ser confusa ou mesmo contraditória. Se as áreas de montanhas possuíam baixas quantidades de terras agricultáveis, como era possível manter uma família com muitos membros? As migrações sazonais em direção ao interior da Europa serviam como uma forma de suprir as carências econômicas de que a propriedade não dava conta, por outro lado, também serviam para expandir o domicílio. Essas migrações desde muito tempo acompanhavam os camponeses do Vêneto e de outras regiões do norte italiano. Elas ocorriam nas chamadas estações mortas da agricultura, ou seja, períodos em que os trabalhos agrícolas diminuíam na propriedade, ou especialmente nos grandes períodos de colheita do trigo e outros cereais, quando se dirigiam milhares de camponeses rumo ao interior do Império Austro-Húngaro, França e mesmo aos Estados da Confederação Germânica. Para essas “viagens temporárias” eram destinados em sua maioria homens adultos, cabendo aos mais velhos e às mulheres gerenciarem a propriedade.[15]

O tipo de composição dos domicílios e as maneiras como a propriedade era transmitida tinham um impacto direto na nupcialidade. Massimo Livi Bacci, ao estudar Portugal, constata que, entre os desprovidos de propriedade, a incidência ao casamento era mais alta, justamente porque não tinham nada para herdar.[16] Nessa direção, até o início do fenômeno emigratório, no Vêneto, especialmente nas áreas de montanha, a idade ao casar era mais alta tanto para homens como para mulheres (em torno de 28 e 25 anos, respectivamente), assim como eram maiores as taxas de celibato, entre aqueles que possuíam a propriedade. O estudo de R. Rettaroli, que classificou as províncias do norte da Itália em quatro grupos, mostra que muitas províncias do Vêneto que se situam nas faixas de montanhas, como aquelas citadas acima, estão inseridas no grupo em que a idade ao casar, tanto para homens como para mulheres, é maior, assim como os índices das pessoas que não se casam.[17]

O panorama discutido acima foi característico das províncias localizadas nas regiões montanhesas do Vêneto. Nas áreas de planície, que compõem o segundo setor,[18] a situação era diferente. As regiões mais planas e os vales têm grande quantidade de terras produtivas, o que despertou desde muito cedo o interesse dos grandes produtores. Desde o início da Idade Moderna, essas porções de terras estiveram concentradas nas mãos de grandes fazendeiros, que alugavam ou empregavam trabalhadores assalariados. Esse fenômeno fez crescer o poder dos proprietários, formando muitas vilas compostas por famílias em que predominava o domicílio do tipo simples.[19]

O vale do Pó e suas proximidades, desde a metade do século XVIII, experimentou um intenso processo de modernização da agricultura, que provocou a proletarização de milhares de camponeses. Dessa maneira, no período pré-emigração, os camponeses que viviam nas províncias circundadas pelo referido rio eram, em grande parte, pertencentes ao universo dos bracciantis. Assim, como geralmente não tinham nada para herdar, casavam-se mais intensamente e mais cedo. Nas províncias do Vêneto situadas nas planícies, a tendência era a baixa idade ao casar e maior intensidade ao casamento, assim como formação de domicílios do tipo simples, com residência neolocal.

As diferentes formas de organização familiar, vinculadas à disponibilidade de terras cultiváveis, impactariam diretamente na fecundidade dos casais. Nas áreas de montanha do Reino de Nápoles, por exemplo, onde a terra era mais escassa, a idade ao casamento era mais tardia e consequentemente as taxas de fecundidade eram mais baixas. Ao contrário, nas regiões de planícies da Apúlia, onde predominavam as grandes propriedades e a maior parte da população era desprovida de terra, os controles sobre o casamento e a herança eram de pouca consequência. Assim os camponeses casavam mais cedo e tinham mais filhos, pois as maiores oportunidades de emprego se tornavam uma variável importante para definir o progresso econômico da família.[20]

Pelo que foi discutido acima, a distribuição da terra tinha um papel importante na definição de comportamentos familiares, principalmente no que se refere à organização da propriedade, dos domicílios e, consequentemente, na idade ao casar. Entretanto, esses comportamentos não estão ligados apenas a fatores de ordem econômica, mas também de ordem cultural. Frequentemente indivíduos que vivem na mesma região há séculos têm costumes em comum, o mesmo dialeto e os mesmos comportamentos como a idade ao casar. Também as mesmas crenças religiosas e os mesmos sentimentos, enfim, têm uma cultura comum.[21] No nosso caso em estudo, a maior parte dos imigrantes originava-se, principalmente, de duas províncias (Treviso e Vicenza) que, do ponto de vista dos comportamentos familiares, apresentavam características próximas.

Os imigrantes italianos que se fixaram nas colônias de Campo Largo, embora fossem provenientes quase que exclusivamente do Vêneto, eram portadores de diferentes comportamentos demográficos. No mundo camponês da Europa pré-industrial, a organização familiar variava de região a região, e certamente estava diretamente ligada a um elemento central: a terra. O acesso ou não à propriedade poderia determinar se o domicílio seria simples ou complexo, assim como as idades ao casar para moças e rapazes, as taxas de celibato definitivo, bem como as maneiras pelas quais ocorriam a transmissão da herança, elementos tão importantes para a reprodução dos sistemas campesinos.

A maior parte dos italianos instalados nas colônias de Campo Largo, como já dissemos, veio em famílias. De acordo com um levantamento realizado nos registros de desembarque de imigrantes, constante no DEAP,[22] percebe-se que a maioria refere-se a casais que vieram acompanhados de alguns filhos. Entretanto, não se limitavam apenas a famílias nucleares. Em muitos casos, foi possível observar unidades familiares com três gerações (o casal junto com filhos casados e netos), assim como casais com seus filhos e irmãos solteiros, e, também, viúvos acompanhando seus filhos solteiros ou casados. Essa diversidade de situações reflete, também, características específicas das regiões de origem (províncias de Treviso e Vicenza), no que toca aos arranjos familiares, onde coexistiam famílias grandes vivendo em domicílios complexos, assim como famílias nucleares vivendo em domicílios simples.

Na nova sociedade essa situação se alterou, pois cada grupo familiar poderia requerer para si um lote. Aqueles que eram compostos por mais de um casal ou tinham vários adultos poderiam solicitar mais de um, como salientou Pedro Fedalto em relação a sua família: “Giuseppe Fedalto requereu um lote para si e outro para seu pai, Giacinto”.[23] A disponibilidade de terras provavelmente foi um dos primeiros impactos que a imigração causou na organização familiar dos camponeses vênetos. Também é importante destacar que muitos casais, quando chegaram a Campo Largo, ainda não tinham completado sua prole, tendo mais filhos na nova sociedade. Se na sua aldeia de origem, algumas dessas famílias viviam num domicílio complexo, na colônia em Campo Largo teriam a oportunidade de modificar essa situação, uma vez que aqui, ao contrário da Itália, a quantidade de terras cultiváveis era abundante. De qualquer forma, tendo origem como pequenos proprietários ou bracciantis, a nova realidade com que se defrontaram foi importante para a redefinição dos comportamentos familiares.

Uma alteração profunda provocada pela imigração refere-se ao casamento. Se na sociedade emissora, em algumas regiões, principalmente por motivos de ordem econômica, adiava-se o matrimônio ou mesmo muitos permaneciam celibatários, no Brasil, como a situação se modificou, os colonos passaram a se casar cada vez mais cedo, e com maior frequência. Como consequência desse comportamento, passaram a ter uma prole mais numerosa. Entretanto, antes de chegarmos à família constituída, vamos nos deter na análise de como ocorriam as uniões matrimoniais nas colônias italianas de Campo Largo. Aliás, consideramos as escolhas dos cônjuges um dos pontos em que o grupo mais se esforçava para manter-se coeso. Emílio Willens salienta que as diferenças culturais verificadas podem distanciar ainda mais os grupos em contato, à medida que estes percebem que a miscigenação lhes desorganizava o setor mais resguardado da sua cultura, ou seja, a família.[24] Segundo esse autor, a família pertence à esfera mais íntima de qualquer criatura humana. Assim, as sociedades tendem a aplicar todo um sistema de controle destinado a evitar desajustamentos internos e penetrações externas. Daí ser improvável que a “assimilação” se possa iniciar justamente por esta esfera.[25]

Na colônia imigrante, ao contrário do casamento moderno, fruto de decisões individuais, este era arranjado pelas famílias. Nas sociedades ditas tradicionais como as agrárias, o mais comum era o coletivo se sobrepor à vontade individual. Portanto, a ideologia moderna, que “tem o indivíduo como valor e a liberdade como atributo”, [26] não tinha espaço nos primeiros tempos da colonização. O amor romântico se opunha ao esforço da família em construir o casamento de acordo com os seus interesses e da comunidade, assim como representava um perigo ao romper com barreiras fundamentais como a religião ou a origem étnica.[27] Nessa direção, neste período inicial os casamentos “por amor” ainda eram poucos se comparados ao número total de uniões.

As principais premissas do matrimônio para as comunidades imigrantes, não só italianas, mas também de outros grupos étnicos, visavam à preservação do patrimônio (seja material, seja simbólico), assim como agregar forças de trabalho. Dessa maneira, a homogamia era considerada condição primordial de estabilidade não só do casal, mas da própria comunidade. Nessa direção, a análise dos registros de casamento, entre os colonos italianos de Campo Largo, recolhidos nas três paróquias pesquisadas, durante os anos de 1878 a 1920, revela uma relativa endogamia, conforme mostram as tabelas a seguir:

TABELA 3 - DISTRIBUIÇÃO DOS NOIVOS (AS), CONFORME LOCAL DE NASCIMENTO. COLÔNIAS ITALIANAS DE CAMPO Largo (1878-1920).

FONTE: REGISTROS DE CASAMENTO DAS PARÓQUIAS DE SÃO SEBASTIÃO (CAMPO LARGO), Nª SRA DA PIEDADE (CAMPO LARGO –PR) E SÃO JOSÉ (SANTA FELICIDADE- CURITIBA, PR)

TABELA 4 – DISTRIBUIÇÃO DOS CÔNJUGES, CONFORME ORIGEM ÉTNICA. COLÔNIAS ITALIANAS DE CAMPO LARGO (1878-1920).

FONTE: REGISTROS DE CASAMENTO DAS PARÓQUIAS DE SÃO SEBASTIÃO (CAMPO LARGO), Nª SRA DA PIEDADE (CAMPO LARGO –PR) E SÃO JOSÉ (SANTA FELICIDADE- CURITIBA, PR)

As tabelas acima mostram que, durante o período analisado, é predominante a escolha dos cônjuges dentro do grupo étnico, tanto na primeira como na segunda geração, ou seja, independente de serem imigrantes ou descendentes. Essa situação é característica para vários grupos imigrantes no Sul do Brasil. [28] Apenas 23 uniões foram mistas, o que corresponde a cerca de 6% do total de casamentos. Entretanto, essa relativa endogamia de grupo, para as primeiras gerações, não se limitava apenas a indivíduos da mesma origem étnica. Um elemento que sempre nos chamou atenção está no fato de que a maior parte dos casamentos referia-se a noivos residentes na mesma colônia. Na Campina, uma das colônias pertencentes à paróquia de São Sebastião, por exemplo, essa situação é mais visível. Por estar mais afastada dos demais núcleos coloniais, acreditamos ser esta uma das razões que dificultasse o contato entre jovens de outras colônias. Também se for levar em consideração quais eram os espaços em que as pessoas do grupo se socializavam, percebe-se que esses muitas vezes se restringiam às celebrações familiares e religiosas. Daí a pouca probabilidade que, para esse período, as uniões fossem pautadas pelo ideal do amor romântico.

Além das uniões ocorrerem entre noivos da própria colônia, dentre aqueles nascidos na Itália, muitas referiam-se a moças e rapazes oriundos da mesma região da Itália, o que reflete o conservadorismo do grupo e o desejo de manter o que já era “conhecido”. Exemplo interessante pode ser citado a partir do casamento de Domenico Merotto e Luigia Fontana em 26/08/1899. Ambos nasceram em Sarnaglia, diocese de Ceneda, na Lombardia, vieram para cá em 1879 e 1880, respectivamente, e eram oriundos de uma região que contribuiu com apenas alguns poucos imigrantes para Campo Largo. Esse caso serve para mostrar que num primeiro momento os imigrantes constroem relações sociais que revelam a heterogeneidade do grupo. O referido casal provavelmente falava um dialeto diferente dos vênetos, ou mesmo eram portadores de códigos culturais diversos que não provocaram uma aproximação imediata, muito pelo contrário, possivelmente foram excluídos do grupo hegemônico que era vêneto. Assim, este casal pode ser apontado como um clássico exemplo de outsider dentro do grupo italiano. Nessa mesma direção podemos destacar também o caso de duas irmãs oriundas do Trentino (região que só foi anexada à Itália em 1918 e onde se falava um dialeto próximo do alemão) que se casaram com imigrantes prussianos.[29] Nesse caso novamente a reivindicação pelo pertencimento ocorria no plano das identificações pelas regiões de origem. Essas diferenças podem ser notadas porque a saída dos emigrantes italianos se inscreve no período logo posterior a unificação italiana onde o sentimento de pertencimento a pátria italiana estava em desenvolvimento

Numa situação muito próxima daquelas descritas acima, encontramos muitos imigrantes que nasceram em Brusaporco, diocese de Treviso, e que foram estabelecidos na colônia Campina, casaram-se entre os nascidos dessa mesma comuna. Parece que a preferência na escolha dos cônjuges, para aqueles que vieram crianças da Itália, recaía sobre membros nascidos na mesma região. Embora não tenhamos conseguido identificar a aldeia de nascimento de todos os noivos que nasceram na Itália, foi possível quantificar quanto à diocese de proveniência. O que pode ser percebido é que, pelo menos em metade desses casamentos, os noivos vinham de uma mesma província. Assim, de uma amostra de 141 uniões em que ambos os cônjuges eram nascidos na Itália, 70 referiam-se a noivos da mesma diocese. Situação muito próxima foi constatada por Altiva Balhana Pilatti, para os italianos de Santa Felicidade. Segundo a autora, nos primeiros decênios da colonização da região, foram mais correntes as uniões matrimoniais formadas por noivos das mesmas paróquias vicentinas e padovanas do que entre pessoas originárias de paróquias e dioceses diversas.[30]

O matrimônio – conforme a concepção maussiana de dádiva – sela simbolicamente a aliança entre duas famílias, ou entre dois troncos.[31] Partindo dessa concepção, uma outra observação que também nos chamou muita atenção durante a análise das famílias reconstituídas, refere-se aos casamentos duplos,[32] ou como chamou o demógrafo português Manuel D.P.C. Serra, casamentos por “cambia” ou “camba”. [33] Existem vários tipos de casamentos por troca, entretanto, o nosso foco de análise se voltou para aquelas uniões realizadas entre dois irmãos de uma família com outros dois de outra família. Embora não conheçamos bibliografia sobre o tema dos casamento por troca para grupos étnicos no Brasil, ao que tudo indica esses comportamentos remetem a uma prática comum na sociedade emissora, mas que não se restringe apenas aos italianos.

Em muitas aldeias camponesas uma das principais finalidades do casamento estava relacionada à manutenção de solidariedades familiares, ou ainda do patrimônio dentro da aldeia. Entretanto, a imigração provocou uma grande mudança na articulação casamento/propriedade. Assim, a reprodução dessa prática estaria ligada ao próprio habitus dessas famílias em relação ao matrimônio. Embora a situação tenha mudado, o costume que era perpetuado há séculos na sociedade de origem permaneceu ativo, evidenciando a lentidão em que se processava a mudança na mentalidade camponesa. De outra maneira, essa prática pode estar ligada a formas específicas de reciprocidades entre famílias ou a manutenção de solidariedades de sangue ou vizinhança, que ajudam a explicar o pertencimento ao grupo.

Entre os casamentos por troca envolvendo pares do mesmo nível geracional, foram contabilizadas 16 uniões. Dentre esses, pode ser destacado um caso. Estevam Rigoni, filho de Antonio Rigoni e Domenica Cunico, casou-se em 18 de maio de 1889 com Maria Cunico, filha de Cipriano Cunico e Maria Rodighero. Ambos os noivos eram nascidos em Arsiago, província de Padova, região do Vêneto. Pela observação dos sobrenomes, provavelmente, o pai da noiva e a mãe do noivo deveriam ter algum grau de parentesco. Basta lembrar que casamentos consanguíneos (entre primos, principalmente) não eram raros no norte da Itália. Menos de dois anos depois da união e, depois de batizar um filho, o rapaz vem a falecer. Seguindo a trajetória dessas famílias nos registros paroquiais, vemos mais um filho (Cristhiano) de Antonio e Domenica casando com outra filha (Catterina) de Cipriano e Maria. O enlace matrimonial foi realizado na mesma colônia onde residiam as famílias, Antonio Rebouças, em 02 de maio de 1903, e ambos os noivos nasceram em terras campolarguenses. Trouxemos como exemplo essas duas uniões para mostrar como determinadas práticas relacionadas ao casamento, que já eram realizadas na sociedade emissora, foram reconstruídas nas colônias, em Campo Largo. Assim, embora a mudança de local venha acompanhada de um profundo corte, a manutenção de certas características, entre elas, aquelas referentes à família e aos seus vínculos, possibilitava ao grupo a construção de uma identificação própria. De outra forma, é importante mencionar que esses arranjos demonstram a importância da organização da família no mundo camponês que muitas vezes se sobrepunha às determinações da Igreja.[34] Pela lógica dos interditos eclesiásticos, os casamentos entre irmãos de uma família com irmãs de outra não eram permitidos, pois pelo ritual do matrimônio a família do noivo e a da noiva seriam “aparentadas”.

No que toca aos casamentos entre afins, o caso a seguir é um exemplo interessante de como o costume de unir cônjuges dentro do grupo de parentesco, que se sobrepunha às ingerências da Igreja, ainda se mantinha forte no período pós-emigração. Em 03 de outubro de 1895, na colônia Campina foi realizado o matrimônio de dois viúvos: Francisco Bini e Marina Marchiorato, com idades de 30 e 22 anos respectivamente. No registro de casamento o padre Faustino Consoni anotou: dispensados do impedimento de afinidade lícita em primeiro grau[35]. Ocorre que no primeiro casamento da noiva (Marina com Paulo Maquiorato) já havia sido pedida a dispensa por ocasião de consaguinidade em segundo grau, da linha fraternal. A moça tinha casado primeiramente com um primo e depois da viuvez, com o cunhado (que ficara viúvo de sua irmã). Ambos os noivos que protagonizaram o segundo matrimônio eram jovens e casaram novamente em curto espaço de tempo. O rapaz (Francisco), por exemplo, casou novamente menos de dois meses após “enterrar” sua primeira esposa. O rápido enlace matrimonial pode estar ligado ao fato de os dois cônjuges terem filhos pequenos, bem como à necessidade de constituir uma nova família para a reprodução do modo de vida camponês. Por meio desse caso percebemos o quanto a escolha do cônjuge se fundamentava em elementos que visavam fortalecer as solidariedades familiares e da linhagem. Por outro lado, podem ser entendidos como parte do comportamento inercial camponês, que, mesmo após o corte provocado pela imigração, permanecia ativo.

Ao reconstruírem comportamentos típicos da sua região de origem, como aqueles referentes à escolha do cônjuge, o grupo delimitava fronteiras. De acordo com Fréderik Barth, as distinções de categorias étnicas não dependem de uma ausência de mobilidade, contato e informação. A persistência dos grupos étnicos em contato implica não somente critérios e sinais de identificação, mas também a estruturação de uma interação que permite a diferenciação cultural.[36] O grupo imigrante não estava em condição de isolamento, de alguma forma precisava interagir com a sociedade receptora. Num primeiro momento essa interação era de caráter econômico, mas, à medida que o processo de enraizamento se efetivava, trocas culturais também seriam realizadas. A maneira como esses indivíduos manipulavam certos “traços culturais” próprios do seu grupo delimitava a fronteira etnocultural, que não é fixa, mas construída e reconstruída em função do contexto e de determinados interesses dos atores sociais.

A situação interétnica exigiu um rearranjo do arcabouço cultural e simbólico trazido pelos imigrantes. A “cultura do contato”, conforme aponta Roberto Cardoso de Oliveira, pressupõe uma mistura genérica, muitas vezes resultante de ganhos e perdas entre sistemas culturais em conjunção.[37] Conforme mostrou a tabela 3, um casamento fora do grupo – embora pouco frequente no início da colonização – poderia não significar necessariamente que se estavam dissolvendo as fronteiras étnicas, mas deslocando-as. Devido às novas condições (aqui nos referimos à disponibilidade de terras), como o próprio grupo estimulava os jovens a casar relativamente cedo (a idade média ao casar nas colônias em estudo foi de 19,70 anos para as moças e 22,50 anos para os rapazes), para assim ter uma prole numerosa e poder prosperar economicamente, o casamento interétnico poderia ser uma opção, ou mesmo falta de opção, perante um eventual mercado matrimonial desigual.

A observação das uniões interétnicas revelou que a maior parte delas se referia a moças que se casavam com homens de outras etnias. Assim, temos durante todo o período analisado 10 noivos italianos (imigrante ou descendente) casando fora do grupo, sendo seis uniões com brasileiras, três com polonesas e uma com alemã (prussiana). Já as mulheres totalizaram 14 uniões interétnicas, sendo nove com brasileiros, três com alemães (prussianos) e dois com poloneses. É uma situação contraditória, visto que o contexto imigratório geralmente beneficia as mulheres, pois, mesmo nos grupos em que predomina a imigração do tipo familiar, é mais comum a presença de homens solteiros (que migram sozinhos) do que mulheres, assim eram elas que tinham mais chances de encontrar um parceiro conjugal dentro do grupo étnico.[38] Talvez, a própria idade ao casar da mulher, que geralmente era menor que o homem, tenha influenciado o número de uniões interétnicas. De qualquer forma, a preferência era sempre a união com um cônjuge da própria etnia, não havendo, este ou esta deveria ser buscado fora do grupo. Entre italianos e brasileiros, haviam certos estranhamentos que levaram a formulações de estereótipos em relação ao outro, e um deles referia-se ao trabalho. Assim no imaginário camponês, as virtudes do trabalho, assim como a prática da poupança e da moderação do consumo, eram enaltecidas. A exaltação do trabalho era uma importante maneira pela qual os italianos se afirmavam como superiores sobre os outros (especialmente os negros e caboclos).

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[1] Mestre em História pela UFPR.

[2] VAINFAS, Ronaldo. História das Mentalidades e História Cultural. In. ________& CARDOSO, Ciro Flamarion. Domínios da História. Rio de Janeiro : Campus, 2002.

[3]BALHANA, Altiva Pilatti. “A vida familiar em Santa Felicidade”. In: Un mazolino di fiori. WESTHEPHALEN, Maria Cecília (org). vol.II , Grafipar : Curitiba, 2002 p. 348-349

[4] NADALIN, Sérgio Odilon. 2004. História e Demografia: Elementos para um diálogo. Campinas : ABEP. 2004.p. 116.

[5] FLANDRIN, Jean-Louis. Famílias: parentesco, casa e sexualidade na sociedade antiga. Lisboa : Estampa, 1991. p.12

[6] De acordo com esses autores, o leste seria caracterizado por idade precoce ao casar tanto para homens como para mulheres, baixas taxas de celibato e predomínio de domicílios simples, como no oeste a idade ao casar seria mais elevada, com taxas mais altas de celibato e presença de domicílios complexos.RETTAROLI, Rosella. “Age at marriage in nineteenth-century Italy” Journal of family history. vol. 15, n°4, 1990. pp. 409-411.

[7] Para Rowland, as regiões mediterrânicas da Europa apresentariam padrões diferenciados de desenvolvimento demográfico. As regiões sul de Portugal, Espanha, Itália e a Sicília seriam caracterizadas por idade precoce ao casar da mulher (20 a 22 anos) e mais tarde do homem (25 a 27 anos), com predomínio de domicílios simples e residência neolocal. Contrariamente, no norte de Portugal, na Galícia e Toscana haveria uma presença mais acentuada de pessoas que casavam-se mais tarde (mulheres entre 25 a 27 anos e homens entre 26 e 28) com predomínio da família do tipo extensa em domicílios complexos. WOOLF, Stuart. “The Southern European family again. Some perspectives of research”. In. Família, casa y trabajo. Anais do Seminário Família y elite de poder em el Reino de Murcia. Siglos XV-XIX. Universidad de Murcia, 1997. p. 37-38.

[8] WALL, Richard. “Characteristics of european family and household systems”. In. Família, casa y trabajo. Anais do Seminário Família y elite de poder em el Reino de Murcia. Siglos XV-XIX. Universidad de Murcia, 1997. p. 20-21.

[9] VIAZZO, Píer Paolo & ALBERA, Dionigi. “The peasant family in northen Italy, 1750-1930: A Reassessment.” Journal of family history. vol. 15, n°4, 1990. pp. 461-463.

[10] Bracciantis, como o próprio termo sugere, são trabalhadores braçais, que em geral eram desprovidos de propriedade, cujo único recurso que possuíam era sua própria força de trabalho e de sua família.

[11] VIAZZO, Píer Paolo & ALBERA, Dionigi. Op. Cit. p.461-463

[12] BARBAGLI, Marzio & KERTZER, David. “An introduction to the history of italian fertility” In. Journal of family history. vol. 15, n°4, 1990. p.373.

[13] Basta lembrar que a persistência das propriedades comunais que remetiam a uma herança feudal, existiam em altas proporções nas áreas de montanhas, quase não sendo encontradas nas áreas de planícies.

[14] VIAZZO, Pier Paolo & ALBERA, Dionigi. Op.cit. pp. 465-469.

[15] GROSSELLI, Renzo Maria. Vencer ou morrer: camponeses trentinos (vênetos e lombardos) nas florestas brasileiras. Florianópolis: Editora da UFSC, 1987. p.75

[16]LIVI-BACCI In RETTAROLI, Rosella. Op. cit. p. 411.

[17] RETTAROLI, Rosella. Op. cit. p. 420-421.

[18] Ver capítulo I, subcapítulo 1.1 pp. 6-7

[19] VIAZZO, Pier Paolo & ALBERA, Dionigi. p.469-470.

[20] DELILLE, Gerard In CASEY, James. A História da família. São Paulo : Àtica, 1992. p. 153.

[21] RETTAROLI, Rosella. Op. cit. p. 422-423.

[22] Departamento de Arquivo Público do Paraná, livros: 428, 444, 445, 455, 833 e 834.

[23] FEDALTO, D. Pedro. Centenário da Colônia Antônio Rebouças. Curitiba, Voz do Paraná: 1978. p.23.

[24] WILLENS, Emílio. A aculturação dos alemães no Brasil. São Paulo : brasiliana, 2ª ed. , 1980. p. 323.

[25] WILLENS, Emílio. Op. cit. p. 322.

[26] DUMONT, Louis. Homo hierarchicus: o sistema de castas e suas implicações. São Paulo: Edusp, 1992. p.57

[27] WOORTMANN, Ellen F. Herdeiros, parentes e compadres: colonos no sul e sitiantes no nordeste. São Paulo : Edunb, 1995. p. 157-159

[28] A questão endogâmica, nas primeiras gerações, é característica para praticamente todos os grupos étnicos. Entre diversos trabalhos, podemos citar: os italianos, pesquisados por BASSANEZZI (1999) e BALHANA PILATTI (1978), os alemães luteranos por NADALIN (2001), os alemães católicos por WOORTMANN (1995) e os ucranianos por ANDREAZZA (1995).

[29] No Rio Grande do Sul os trentinos sofriam discriminação por parte dos italianos, eram chamados de senza bandiera (sem bandeira) por não pertencerem a um Estado, eram uma minoria dentro do Império Austro-Húngaro quando emigraram. Por manterem uma certa hostilidade com os italianos ( e vice-versa) e serem discriminados, mantinham a união máxima entre eles. POSSAMAI, Paulo. 2005. Op. Cit. p. 88-89.

[30] PILATTI BALHANA, Altiva. “ A vida familiar em Santa Felicidade” In ____________ Um mazolino di fiori vol. II .(org) Westphalen, Maria Cecília. Curitiba : Imprensa Oficial do Paraná, 2002. p. 350.

[31] No Ensaio sobre a dádiva, um dos argumentos centrais de Mauss é de que a dádiva produz a aliança, tanto as alianças matrimoniais como as políticas, religiosas, econômicas, jurídicas e diplomáticas. MAUSS, Marcel. “O ensaio sobre a dádiva”. In. Sociologia e Antropologia. São Paulo: Pioneira/Edusp, 1974.

[32] Os casamentos trocados envolvendo pares do mesmo nível geracional estão no Anexo 2.

[33] SERRA, Manuel D. P. C. “O casamento por ,<câmbia> ou <camba> no noroeste de Portugal. Primeira tentativa de caracterização”. In. Família, casa y trabajo. Anais do Seminário Família y elite de poder em el Reino de Murcia. Siglos XV-XIX. pp.93-108.

[34] No norte da Itália, a Igreja pode ser considerada como o eixo da vida camponesa, pois era ao redor dela que a vida social dos camponeses era organizada. Entretanto embora a Igreja agisse como instituição hegemônica e orgânica do grupo, que o Vêneto se constituísse em uma sociedade bastante clericalizada, não significa dizer que também fosse uma sociedade fortemente espiritualizada. Muito pelo contrário, era uma sociedade bastante ativa que se apoiava em diversas estratégias para a manutenção não só dos poucos recursos que tinham, mas também de uma ordem e de um modo tradicional de viver.

[35] Livro 2B de casamento da paróquia São José (Santa Felicidade, Curitiba – PR).

[36] BARTH, Frederik. “Grupos étnicos e suas fronteiras”. In. POUTIGNAT, Philippe e STREIFF-FENART, Jocelyne. Teorias da Etnicidade. São Paulo : UNESP, 1997 .pp.188-196

[37] OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. Identidade, etnia e estrutura social. São Paulo : Livraria Pioneira Editora, 1976.

[38] BASSANEZI, Maria Silvia C. Beozzo. “Família e Imigração Internacional no Brasil do Passado”. Artigo publicado em Estudos de História, Franca, SP, v.6, n.2,1999. p. 300.