ISSN 1807-1783                atualizado em 05 de junho de 2012   


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Notas Sobre a Função Intelectual Ontem e Hoje

por Rodolfo Fiorucci

Sobre o autor[*]

Os dois últimos anos do primeiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva (2005-2006), suscitaram discussões que já haviam atravessado todo o século XX e que ainda causam frisson nos debates políticos, culturais e intelectuais. Se no século passado as questões que trataram do papel do intelectual e seu engajamento, de sua intervenção ou não na cena pública, do prejuízo ou não dos valores universais em prol do realismo político, além de sua politização ou não, ocuparam o debate intelectual em determinados momentos, está claro, no limiar do novo século, que tais dilemas estão longe de serem resolvidos.

Na verdade, nas últimas décadas do século XX, o desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação e sua subsequente ampliação, tanto espacial como social, fez emergir a dúvida sobre o posicionamento que o intelectual deveria assumir a partir dali, se é que tivesse que adotar algum. Trata-se de observar que convergiram alguns fatores para que esse papel do intelectual portador dos valores universais, que sustentava a determinação de ser o norte da opinião pública e falar por ela, perdesse terreno na flexibilização das funções intelectuais no mundo contemporâneo. A profissionalização crescente de setores como o da educação, da informação e da pesquisa, estimulou a entrada no mercado e na esfera pública de um contingente considerável de profissionais que de uma forma ou outra lidam com o conhecimento, com a palavra e com a opinião pública, o que lhes dá status de "intelectuais" diante da sociedade, além de certa autoridade, dependendo do meio que utilizam para veicular suas ideias. Nesse sentido, a imprensa sustenta uma função importante nessa flexibilização do trabalho intelectual no cenário atual, já que incorpora e monopoliza praticamente todos os meios de veiculação de ideias, conceitos, informações, ideologias etc.

É nessa dinâmica acelerada (cada vez mais) entre sociedade, política, imprensa e funções intelectuais, que o presente texto pretende se desenvolver, mais especificamente ao discutir o que é o intelectual hoje, quais suas funções e qual o peso da imprensa nessa relação entre intelectual, informação, crítica e sociedade. Para tanto, tomou-se como estímulo para o estudo, a efervescência opinativa destacada no ano eleitoral de 2006 no Brasil, como também as considerações sobre o escândalo político nomeado de "mensalão". As interpretações e opiniões que vieram de todos os lados e de todos os setores estimularam que qualquer ator social se valesse de sua posição para tecer elucubrações muitas vezes incautas acerca do delicado momento histórico pelo qual passava o Brasil. Viu-se uma avalanche de análises equivocadas, atuações promíscuas da imprensa, jogadas políticas mesquinhas, acusações infundadas e fundadas (Ver Lima, 2007). Enfim, o palco teatral criado pela midiatização da crise agregou muitos personagens, o que fez com que uma parcela social de notável importância em situações de crise, os intelectuais, ficasse atrás das cortinas ou, no máximo, como integrantes da plateia, que assistia àquele "espetáculo" grosseiro com atores egocêntricos, quase que obrigatoriamente. Tanto os intelectuais como a sociedade em geral - mesmo que com posturas diferentes -, pareceram investidos na posição do personagem Alex do filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica (1971), interpretado por Malcolm McDowell, pois foram expostos, forçosamente, a um tratamento de choque, para assimilarem e acreditarem em tudo o que viam naquele circo que se tornou a política brasileira e todos os envolvidos nela, seja como jornalistas, críticos, cientistas políticos e sociais, "intelectuais" ou políticos.

Torna-se sintomático, pois, que naquele exato momento, a figura do intelectual começasse a ser admoestada, indagada e cobrada. Acusações de que os intelectuais se calaram foram muitas e recorrentes, e não raras vezes usadas ideológica e politicamente, já que vociferava a oposição governista que os intelectuais estavam partidarizados e alinhados ao Partido dos Trabalhadores (PT), pois preferiam não se manifestar, já que viam seus ideais sucumbirem junto ao governo de esquerda representado por Luiz Inácio Lula da Silva. Diante de tais cobranças, Marilena Chauí defendeu a categoria:

O retraimento do engajamento ou o silêncio dos intelectuais é, aqui, signo de uma ausência mais profunda: a ausência de um pensamento capaz de desvendar e interpretar as contradições que movem o presente. Não se trata de uma recusa a proferir um discurso público, e sim da impossibilidade de formulá-lo (Chauí, 2006, p. 30).

A autora referia-se, obviamente, ao espetáculo, ao bombardeamento de informações, à imediatez da crítica, à impossibilidade de vislumbrar qualquer interpretação mais concreta frente ao universo turvo, disforme e efervescente em que se encontrava o país. Teceu, nas entrelinhas, uma crítica a todos que proferiram discursos no calor do momento e, também, fez menção ao processo de substituição do intelectual engajado pelo especialista competente. Não apenas a economia, como também a política, tornaram-se assuntos de especialistas cujas decisões pareciam ser de natureza técnica. Expunham uma linguagem secreta que, publicadas, exigiam certo grau de interpretação e uma determinada decodificação, o que a tornou uma linguagem incompreensível para a maioria dos cidadãos (Idem, p. 33).

Intimidados e cautos, os intelectuais, no vórtice de acusações dirigidas aos seus papel e função sociais, reagiram da forma que julgaram possível: passaram a analisar o porquê do silêncio dos intelectuais, a conjuntura que determinava tal posição e o papel do intelectual ontem e hoje. Tal empreendimento foi levado a cabo num ciclo de conferências nomeado O silêncio dos intelectuais, concebido pela Artepensamento em 2005, que ocorreu no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre. O resultado foi o livro O silêncio dos intelectuais, organizado por Adauto Novaes e editado pela Companhia das Letras, em 2006. Não se trata de aprofundar na análise sobre o livro e nas ideias contidas ali, mas de observar que a publicação do mesmo foi uma clara reação dos intelectuais diante das acusações impetradas, e entender o que os próprios intelectuais assumiram como suas funções no mundo atual. É obvio que apenas alguns representantes da categoria tiveram a oportunidade de manifestarem-se, o que não atesta uma posição generalizada e consensual, contudo, não se perde a interessante contribuição que a obra oferece para a história intelectual, a história das ideias e para a história do tempo presente no Brasil.

Por mais que se tenha estudado, analisado e publicado obras sobre os intelectuais no século passado, parece que tal assunto sempre gera polêmica e é motivo de discussões inacabáveis. De fato, o século XX foi estimulante para os intelectuais, para que estes se colocassem na esfera pública defendendo posições. Tomando como base o recorte de tempo de Hobsbawm (2003) - o breve século XX -, é possível elencar, apenas para citar alguns eventos nos quais os intelectuais foram exigidos, a revolução russa de 1917 até o desmantelamento da União Soviética em 1991, passando por duas guerras de proporções mundiais, uma guerra fria/ideológica, descolonização, tiranias, ditaduras, movimentos culturais e contra-culturais, "fim" do socialismo etc. Não faltaram oportunidades e possibilidades para que a categoria dos intelectuais interviesse diretamente na sociedade e na política, o que gerou debates inúmeros sobre o seu papel no mundo social.

Toda querela se deu entre dois pólos de interpretação, cabendo talvez um terceiro que de certa forma mesclava os dois primeiros, defendido por intelectuais como Barthes. O primeiro pólo apareceu devido a um movimento que ocorreu em meados do século XIX, conhecido como modernidade. Os modernos buscaram separar-se dos "homens-comuns", criando uma aristocracia simbólica. Impuseram regras no jogo literário para fazer reconhecer suas especificidades e recusaram-se a ter débito com a agitação momentânea, seja ela social ou política (Denis, 2002, p. 20). O que procuravam era esmerar a arte de escrever, atentar para as regras da literatura, para a estética da obra e deixar seus nomes e textos para a posteridade, reconhecidos pela técnica e capacidade de produzir uma obra de arte, dentro de um idealismo moderno.

Pensadores como Benda, Ortega y Gasset, Mannheim e Croce eram partidários dessa literatura idealista, que pairava acima da sociedade não intervindo nas questões mundanas. Não foi à toa, pois, que Benda tinha como seus principais alvos de críticas o bergsonismo, o existencialismo e o marxismo, linhas de pensamento que sustentavam posturas que instigavam a ação; e Mannheim procurou separar o engajamento cultural do engajamento político, dando maior visibilidade ao primeiro, não mundano, ligado à arte e ao espírito, não às ações políticas do homem em sociedade, no cotidiano (Bobbio, 1997, p. 132). Buscava-se, na verdade, o desenvolvimento espiritual, estético, artístico e cultural, não ligado às coisas do mundo e do homem no seu dia-a-dia. Não se cogitava a intervenção da arte na política, o que afastava os homens de letras das agitações as quais todos estão envoltos repetidamente, atestando que o mundo secular não entrava nas preocupações do mundo espiritual dos modernistas.

Foi apenas com E. Zola - e aqui se tem o início do segundo pólo - que esta postura distanciada do intelectual se arrefeceu, no exato momento em que o escritor tomou partido em prol do oficial judeu Dreyfus, acusado injustamente de espionagem. Assim, Zola iniciou esse tipo de "intelectual justiceiro", que usa suas armas - as palavras - para intervir no meio social e político no qual se encontra (Silva, 2004, p. 42-43). Publicou o J'accuse no jornal L'Aurore, em 13 de janeiro de 1898, texto direcionado contra os generais e outros oficiais franceses que, em nome da "razão do Estado", pretendiam condenar Dreyfus para não manchar a imagem do governo e do exército, mesmo que para isso um inocente sofresse as consequências. Alguém precisava ser o "bode espiatório" no caso em que documentos secretos franceses foram parar nas mãos dos alemães. Nesta empreitada, Zola cooptou outros pensadores importantes, que também se alinharam em favor e em nome da justiça. Entre eles estavam Anatole France, Georges Courteline, Octave Mirbeau e Marcel Proust, que sofreram várias sanções devido às suas atitudes que estavam claramente ligadas aos valores universais e contra a "razão de Estado".

Criava-se, pois, o caso Dreyfus, que atravessou o século XX como um dos momentos mais importantes da história dos intelectuais, até mesmo porque foi neste momento que o termo "intelectual" foi cunhado, sendo atribuída tal expressão a Georges Clemenceau. A partir daí, iniciou-se uma discussão que parece eternizar-se, sobre até que ponto deve, se é que deve, atuar politicamente um intelectual. O ideal moderno começava a ser contestado, o que colocava os intelectuais como agentes importantes para entender, interpretar, atuar e transformar o mundo. Desciam de suas torres de marfim para imiscuir-se nas mazelas cotidianas, políticas e sociais, transformando sua autoridade intelectual em autoridade política, em nome de uma autoridade moral. Assim, estes homens de letras abandonaram as ideias puras, as considerações abstratas e as "realidades espirituais", e condicionaram seus pensamentos ao mundo dos homens, ao mundo das relações políticas e sociais.

A reação não tardou. Aquela tradição moderna ainda insistia em defender suas regras, seu idealismo literário, o que fez com que alguns autores se inflamassem contra a atitude desses intelectuais "terrenos". Uma obra de destaque nesse processo é A traição dos clérigos, de Julien Benda, publicada em 1927. Ali, Benda atacou essa postura dos intelectuais, chamando-os de traidores, já que abriram mão dos valores universais da literatura e da posição autônoma dos homens de letras. Para ele, os intelectuais politicamente ativos haviam manchado a aura do verdadeiro intelectual, pois se afastaram das questões que realmente importavam, como a arte, a literatura, os valores universais, para tornarem-se agentes sociais ativos, fazendo parte do mundo repetitivo dos homens, dos vícios, dos erros, das relações políticas e promíscuas.

Benda publicou esta obra num momento em que a agitação política e social era mundialmente latente. Problemáticas relacionadas a teorias, ideologias, economia, pós-guerra encontravam nichos de desenvolvimento profícuos nos meios intelectuais. Para além da ação empregada por Zola e seus seguidores, o século XX abriu-se já apresentando uma guerra mundial, que somou milhões de mortos e uma revolução proletária, a russa, em 1917. Era quase impossível que os pensadores não tomassem posição frente a tais acontecimentos, já que estes transformavam o mundo inaugurando uma nova fase e uma nova sociedade. O século passado realmente destacou-se por implementar mudanças profundas na economia, na política e na cultura. A racionalização que tomou conta dos homens, a tecnologia que se desenvolveu a passos largos, os direitos humanos que tomaram corpo depois que muito sangue foi derramado por todos os rincões do planeta, seja por guerras mundiais, regionais, imperialismos, descolonizações, revoluções etc, funcionaram como pólos catalisadores que, juntos, convidavam os intelectuais a tomarem uma atitude e uma posição. Parecia paradoxal uma sociedade que ao mesmo tempo em que desenvolvia seus conhecimentos técnicos e científicos, estagnava quanto às relações humanas. Por tudo o que este mundo contemporâneo apresentava, pareceu inevitável certo engajamento intelectual.

As décadas de 1920 e 1930 ficaram marcadas pela aparição desses pensadores que se tornaram ativos, tanto no campo político/ideológico da direita como da esquerda. Esse homem de ideias, para Rouanet, possuía a inteligência livremente flutuante a qual se referia Karl Mannheim, era representante orgânico de sua classe, nos termos de Gramsci, e saiu do espaço que lhe cabia na divisão social do trabalho para defender causas universalistas, segundo Sartre (2006, p. 74). Noutras palavras, foi o momento em que o intelectual passou a participar de forma mais ativa na sociedade. Foi neste período que Jean-Paul Sartre se destacou como o representante maior do engajamento intelectual, do segundo pólo supracitado. Herdeiro do existencialismo cristão, Sartre lançou-se a defender a literatura engajada, voltada para os problemas cotidianos e políticos (Denis, Op. Cit., p. 34). Para o autor, a função dessa literatura era atrair a massa dos cidadãos, dialogar com as questões que afligiam suas vidas, sem ficar presa à literatura simbolicamente aristocrática, desenvolvida apenas para alguns iniciados na arte da escrita e leitura. O existencialismo de Sartre não aceitava a intenção propriamente estética da escritura e dizia que esta necessariamente se duplicaria em um projeto ético. Isto é, não bastava escrever, o que interessava era o porquê escrever e com qual objetivo, itens que explanavam seu "imperativo moral".

De acordo com o intelectual existencialista francês, não havia literatura desengajada, já que seria inevitável o envolvimento no mundo. Até mesmo o silêncio implicaria uma escolha, portanto, calar-se também queria dizer algo. O silêncio, para Sartre, era uma tomada de postura (Idem, p. 36). O autor se ligou ao fato de que o publico leitor se multiplicava naqueles anos, que se escolarizavam mais pessoas, o que criava grupos sociais potencialmente politizados e politizáveis. Percebeu que esse novo público voltava-se para as novas mídias (cinema, rádio), já que a literatura elitista impunha um abismo entre si e os leitores. Era necessário então que o escritor saísse do lugar sagrado e apelasse ao profano, o que forçava dirigir-se a um público mais amplo, que era marginalizado simbolicamente do intercâmbio literário. Esse tipo de intelectual, que tem em Sartre figura de destaque, arriscava perder sua distinção formal, calcada no cânone moderno, pois se separava do idealismo que flutuava sobre as cabeças dos homens comuns, para misturar-se a eles, para abalar as consciências e influir no mundo (Idem, p. 59-60).

Deste modo, a literatura deixava de ser um fim em si mesma e tornava-se ferramenta a serviço de uma causa ou propósito. Nesse sentido, nas palavras de Denis,

O escritor engajado renuncia, portanto a apostar na posteridade e escolhe resolutamente responder às exigências do tempo presente. E ele assume o sacrifício de sua glória póstuma como inerente ao seu engajamento, vendo aí um salutar exercício de modéstia que atesta a sua vontade de reunir-se ao mundo dos homens e de tomar parte nos debates que o agitam (Idem, p. 41).

Tratava-se, pois, de ultrapassar o idealismo moderno tal qual queria Baudelaire, posição que logo encontrou críticos severos. Surgiu, então, o eventual terceiro pólo, cuja acusação maior era a da relação promíscua entre literatura e política, consubstanciada no engajamento direto no mundo secular. Barthes se colocou contra Sartre ao dizer que na verdade é o desengajamento do mundo que seria a melhor forma de engajar-se na literatura (dentro da linha de Flaubert e Kafka), pois o intelectual engajado, de escrita urgente e submetido às exigências do tempo presente, perde sua essência, o que levará sua obra a ser julgada no tempo mais longo devido a sua imediatez, o que a leva a perder a imortalidade da literatura para transformar-se num documento de combate ultrapassado (Idem, p. 37-41).

Apesar das várias e ácidas críticas que Barthes direcionou a Sartre, não o renegou por completo, pelo contrário, conservou muitos pontos do existencialista, corrigindo-os. Por acreditar que o escritor não é senhor de seu propósito e, consequentemente, não pode medir os efeitos de suas palavras, Barthes inverte a fórmula de Sartre: enquanto este dava primazia às ideias e não à forma, aquele fazia o caminho inverso. A escritura para Barthes seria a moral da forma, já que mesmo ao situar sua obra socialmente e escolher seu público leitor, o autor não controla o percurso de suas palavras. Será muitas vezes o porta-voz, o representante do grupo social que escolheu, sem ser lido pelos mesmos. Nesse sentido, no fim, seus interlocutores serão os próprios cânones.

O que se observa é a intenção de separar literatura e política, transferindo a necessidade do engajamento para a função crítica. O que assumiria o papel da literatura engajada seria a crítica, que tomaria posição ideológica nas questões políticas e sociais. Tal modificação, que se iniciou com as formulações de Barthes, abriu espaço para outros meios de contestação cultural que não a literatura. Surgiram, então, músicas, revistas, ficções científicas, fotografias e quadrinhos engajados (Idem, p. 298-301). A tendência, por consequência, foi o paulatino enfraquecimento da literatura engajada e do existencialismo. Muitas das causas desse desaparecimento estão relacionadas às revelações que surgiram sobre muitos governos defendidos por grandes intelectuais. Pode-se elencar, entre outros, os gulags na URSS, Stálin, Fidel, Mao Tse-Tung e Khomeini, além da migração de muitos intelectuais da posição crítica para os ideais burgueses, ou a confusão entre comprometimento e alinhamento. Como se vê, foram muitos os fatores que levaram ao enfraquecimento do campo intelectual, especialmente o engajado.

Por ser de caráter imediato a intervenção engajada, por inferir sobre fatos isolados e específicos, o intelectual pode induzir o leitor a aceitar ou negar determinadas ideias ou posturas sem conhecê-las na totalidade. Nesse sentido, Chauí lembra Merleau-Ponty: "manifestar-se sobre tudo, assumir posição e ter opinião sobre tudo, mudar de atitude conforme mudem os ventos, abandonar a obra já escrita, desdizendo-a e desdizendo-se, é irresponsabilidade, não é liberdade" (citado por Chauí, Op. Cit., p. 26).

A autora vale-se, ainda, desta citação para justificar o silêncio ao qual estavam mergulhados os intelectuais na crise política brasileira, pois explicou que, muitas vezes, o verdadeiro engajamento exige que os pensadores se calem e que não cedam às exigências cegas da sociedade (Idem, p. 26). Isto é, propôs que seria mister mais responsabilidade nas emissões de opiniões por parte dos intelectuais, já que suas vozes carregam um valor simbólico muito maior do que qualquer outra voz de outras categorias. Os homens de ideias, quando se manifestam o fazem, e assim se espera, depois de uma profunda análise e contemplação do momento, o que historicamente o colocou na posição que tradicionalmente ocupa no complexo meio social. Se, por acaso, for exigida sua participação, como se fosse de sua alçada esclarecer os fatos, deve ser cauteloso para não tecer juízos de valor e julgar sem ter uma ideia formada, apenas pela pressão externa que o leva a falar. Na verdade, neste momento conturbado, precisa surgir como a voz que destoa, recordando os valores universais da razão e justiça para lembrar ao público que seu papel como intelectual não é julgar, mas pensar e buscar compreender. Muitas vezes pode e deve tratar dos assuntos imediatos, mas de forma neutra, valendo-se de sua criatividade para elaborar textos, crônicas ou contos que de maneira indireta exponha os valores universais, dê sugestões aos homens da política e proponha um caminho, além de fazer o leitor pensar por si próprio.

O sonoro silêncio dos intelectuais brasileiros diante dos acontecimentos contemporâneos, como no momento do mensalão, deveu-se ao que já foi discutido no que se refere ao engajamento dos homens de ideias. Por ter se equivocado muitas vezes ao tomar posição ou defender este ou aquele regime político, o intelectual hoje muitas vezes age com mais precaução, de forma mais restrita e racional. Francis Wolff elabora um raciocínio interessante sobre essa questão:

Muitos intelectuais, de vinte anos para cá, avaliaram o peso dos sonhos e o desastre das utopias. Daqui por diante eles se recusam a esboçar grandes sistemas de ideias totalizantes nas quais a realidade não pode entrar, senão à custa de milhões de mortos. Eles renunciaram à pureza. Mas por outro lado, continuam a avaliar, dia após dia, a miséria dos homens e as injustiças do mundo. Não podem escolher uma ética da convicção radical, que não leva a nada, ou leva ao pior, e uma ética da responsabilidade que os condena, cedo ou tarde, à traição, isto é, a abdicar o estatuto intelectual pelo de expert (2006, p. 68).

Percebe-se um ligeiro pessimismo nas considerações de Wolff, que são um tanto quanto radicais ao dizer que os intelectuais abriram mão das utopias, que renunciaram à pureza. É bem verdade que o status do intelectual nas últimas décadas perdeu a aura que carregava, sendo não menos verdade que muito desta perda se deve, sim, ao engajamento e às utopias que muitos pensadores defenderam no calor do momento. Contudo, adotar esta postura seria abandonar a possibilidade da realização plena dos valores universais no mundo dos homens e alinhar-se a uma posição conciliadora, remediadora e reformista. Se os homens de ieias abdicarem das utopias e da total justiça social que os valores universais carregam simbolicamente, farão um corte abrupto na história humana. A vontade de potência que era sustentada por esses intelectuais e que inflamava o meio social a não desistir de sistemas mais coerentes e justos, cairá por terra, levando todos a encarar o mundo com uma descrença e um pessimismo weberianos, castradores dos ímpetos dos homens. Nem mesmo depois de Auschwitz, quando se dizia que nunca mais se faria poesia, os homens de cultura desistiram dos seus ideais universalistas. Por que seria este o momento?

Está certo que o ataque direcionado aos intelectuais e suas próprias atitudes em muitos equívocos políticos levaram a tal situação, contudo o momento é de reflexão. Muito se falou no fim dos valores universais com o predomínio do relativismo, iniciado com o movimento estruturalista na década de 1970. As ideias concretas de verdade, justiça, razão e liberdade que foram relativizadas, desqualificaram todo o trabalho intelectual que buscava certa universalidade (Novaes, 2006, p. 10-16). Alguns motivos dessa desvalorização das práticas intelectuais, principalmente a engajada, seria a grande transformação, profunda e imediata, da sociedade global, cujos saberes e poderes sobre o tempo e o espaço foram (são) concebidos e utilizados de maneiras tão diferentes. Este período pós-sartriano, ainda fora marcado pela corrente pós-modernista, que assegurou a abertura da participação social e a possibilidade de tecer considerações e juízos sobre a atualidade a uma massa de agentes sociais, o que inchou a categoria de homens até então qualificados a intervirem intelectualmente na sociedade. O contexto deu vazão a uma rede de comunicações múltipla, com diferentes jogadores e jogos, cujas regras são incomensuráveis, o que estimulou uma competição agonística de uns com os outros.

Nas palavras de Augusto Silva, ao perceber esta dinâmica enlouquecida das relações no mundo atual, com vários atores ativos, "nunca como agora as classificações socioprofissionais registraram tantas, tão variadas e tão massificadas profissões intelectuais e, contudo, poucos intelectuais restam que possam ser linearmente vinculados ao perfil de Zola" (Op. cit., p. 46). Sintomática a observação do autor. Ao mesmo tempo em que a categoria "intelectual" multiplica-se, a figura do intelectual tradicional apaga-se no meio da multidão de especialistas e técnicos do saber que espalham suas opiniões para qualquer um que as queira ouvir. Esta situação foi favorecida, ainda, pelos veículos de comunicação de massa que evoluíram tecnologicamente, possibilitando que experts encontrassem os meios necessários para converterem-se em histriões do espetáculo para os novos cidadãos (público dos mais variados meios e telespectadores do "show" midiático).

Direcionou-se, portanto, a indústria cultural em pleno desenvolvimento, o pós-modernismo, a desvalorização dos conceitos universais e a desmoralização do intelectual, para a formação de um novo stablishment na produção e divulgação de culturas, teorias e conceitos. Aliados, ainda, aos novos projetos políticos e econômicos que o final do século XX impuseram como bastiões do mundo contemporâneo o neoliberalismo e a globalização. Tais modelos promulgaram o fim das utopias e aconselharam a tomada de consciência que substituiria as ilusões pelo realismo social e a ação possível, marginalizando as volições utópicas. Assim, o intelectual começou a ser desprestigiado quando a "ordem" começou a reinar no planeta. Visto de outra forma, a queda do muro de Berlim e a midiatização intensa provocaram a perda de espaço dos pensadores. O mundo socialista, dito real, afundou-se e desestruturou as esperanças e, naquele momento, com o avanço das vanguardas de direita, o hippie foi substituído pelo yuppie, as drogas deixaram de ser as drogas lisérgicas, do sonho, da experimentação, e passaram a ser as drogas pesadas e sintéticas, as drogas do mercado. A virada política tornou-se então muito complicada. O Terceiro Mundo perdeu seu espaço e igualou suas ambições às do Primeiro Mundo, o mundo do Norte, juntando-se quase que espontaneamente ao globalitarismo - expressão cunhada por Milton Santos -, a forma mais eficaz de exploração confeccionada pelo capitalismo pós-industrial (Tendler, 2004, p. 179).

Aquele Terceiro Mundo que, juntamente com algumas manifestações do Mundo do Norte, promoveu uma virada cultural nos anos 1960 e 1970, chamada contracultura, consubstanciada nas descolonizações da África e da Ásia, revolução cubana, questão dos negros e do feminismo, reações aos governos autoritários implantados na América Latina, no maio de 1968 e, mais tarde, nos movimentos separatistas do oriente europeu, perdia-se com a reação conservadora, com as soluções milagrosas propostas por M. Tatcher e R Reagan, que vislumbravam uma terceira via quase inacreditável, um ornitorrinco político, econômico e social que colocaria num mesmo projeto as práticas capitalistas e as reivindicações sociais. Uma moção racionalmente inviável, tanto que atualmente demonstra suas consequências com as crises econômicas que afetam não apenas o terceiro mundo, mas, principalmente, o primeiro.

Neste processo de transformação social e cultural acelerada, a classe média foi mobilizada pela voracidade do sistema e quis tornar-se serviçal do novo projeto que se apresentava. Não pretendia perder o trem que levaria a sua evolução econômica. Não se propôs a discutir mais nada e assumiu uma posição extremamente pragmática, a posição do individualismo, o mote da rainha de ferro, que profetizou o fim da sociedade em prol do indivíduo (Idem, p. 181). Neste meio conturbado, com excesso de contingente "intelectual" que se adequou ao sistema e profissionalizou-se para atender às necessidades informativas do mercado, o homem de cultura foi sufocado. Surgiu o que se convencionou chamar de intelectual midiático, aquele profissional do saber que não resistindo às benesses e ao reconhecimento que a exposição pública poderia trazer, entregou-se ao regozijo pessoal que o mercado lhe oferecia. De acordo com Adauto Novaes,

Estaríamos vivendo hoje um segundo momento daquilo que Julien Benda definiu, nos finais de 1920, como a traição dos clérigos, isto é, a morte do intelectual desinteressado e o surgimento desse "novo clérigo" submisso à vontade de potência, ao dinheiro, ao prestígio e ao poder (Op. cit., p. 12).

Novaes, na verdade, infere que tal situação estabelece a segunda traição dos clérigos na medida em que os intelectuais se relacionam com a mídia submetendo-se à lógica dos meios, traindo os princípios universais da luta pela razão, liberdade, justiça e felicidade (Idem, p. 15). A nova mudança estrutural da esfera pública (Ver Fiorucci, 2009) fez mal à figura do intelectual, pois o aumento de participação - destaque-se que positiva - proporcionada pelas novas mídias, fez com que estes pensadores não tivessem força necessária para formar um foco, devido à multiplicação de vozes, o que não quer dizer que barrou a aparição elitista de intelectuais vaidosos. Houve uma transformação no palco, já que a transfiguração de tudo em imagens e a velocidade exigida esvaziaram o discurso, estimulando que os atores sempre representassem a si mesmos, independentemente de sua contribuição ao conteúdo do veículo de comunicação (Habermas, 2006, p. 4-5). Este capital simbólico que resulta da aparição pública, fez com que muitos dos intelectuais mais performáticos se destacassem na televisão e nos meios jornalísticos, ocupando muitas vezes o espaço dos intelectuais universitários (Coelho, 2004, p. 22). Observe-se, porém, que mesmo estes últimos perderam sua representação intelectual por converter-se em profissionais especializados que produzem artigos e pesquisas para atualizarem seus currículos, o que os leva ao individualismo e à reclusão ideológica (ver Souza, 2004, p. 107-116), sintoma de uma doença produtivista que acometeu até mesmo as agências de fomento e pesquisa.

Trata-se de esclarecer a representação intelectual que se configura hoje. À exceção dos "intelectuais-espetáculos", que vociferam tendências, opiniões, previsões ou conclusões precipitadas, produzindo em série informações e notícias que a imprensa requer de modo frenético, o que se ambiciona dos intelectuais é que intervenham num debate com argumentos, que se dirijam a um público não de espectadores ansiosos pelo "show" da sabedoria, mas a um grupo de oradores e destinatários potenciais, capazes de discutir uns com os outros, para que não se caia num monólogo egocêntrico, numa conversa de via única, na qual uma parte fala e a outra simula que apreendeu a verborragia desenfreada da "vedete intelectualizada". Nesse sentido, "o intelectual deveria se distinguir do jornalista inteligente menos pela forma da apresentação e mais pelo privilégio de ter de se ocupar apenas paraprofissionalmente dos assuntos da coletividade" (Idem, p. 5), ou seja, só deveria intervir quando a vida cotidiana saisse dos trilhos, pois sua diferença é o faro vanguardista para relevâncias e não a retórica inebriante de belas palavras.

Não quer dizer que este homem de ideias deva voltar à posição flutuante do idealismo moderno, sem preocupar-se com as "levianidades" da sociedade. Pelo contrário, o que se espera do intelectual atual é que interfira na vida política e social, mas que não se encerre nela. Que percorra o caminho do engajamento pela crítica cultural comprometida com valores universais, transigindo a postura do intelectual moderno quanto à autonomia do campo cultural com a posição do pós-moderno, ativo, o que propõe uma intervenção para e não sobre ou no mundo (Silva, op. cit., p. 56-58). Conclui-se dessas proposições que, no limite, houve uma mudança da representação intelectual na esfera pública e não o fim do mesmo. O seu papel continua tão importante quanto antes - se não mais -, já que é na rede entrecruzada de discursos disformes que o pensamento intelectual pode sobressair. Sendo assim, não se pode e nem se deve dispensar todos aqueles que a partir da crítica cultural do mundo e de si próprios, possam traduzir, interpelar, problematizar, interpretar e modificar o meio em que vivem. Tanto isto é verdade que, em dois casos específicos para exemplificar, foi o que aconteceu tanto na França, em 1981, como no Brasil em 2006. Em ambos os países, a eleição de presidentes teoricamente de esquerda (respectivamente Miterrand e Lula) indicavam planos radicais de mudanças sociais e econômicas, todavia, em pouco tempo romperam com as ideologias e optaram pela fidelidade às instituições financeiras internacionais, realismo político e rigor orçamentário. Noutros termos, foram a continuação do sistema tradicional, acrescentando-se algumas mudanças (Wolff, op. cit., 45-46).

Nos dois governos, os intelectuais se calaram e não tardou a cobrança da sociedade civil por suas opiniões quanto aos processos políticos pelos quais passavam seus respectivos países. Ficou claro que a inundação de notícias espalhadas aos borbotões pelos meios de comunicação não supriram a necessidade social de compreender o que acontecia tanto na França como no Brasil. Os aclamados experts, os âncoras de telejornais que sustentam uma imagem asséptica, os especialistas enrustidos em guardiões de códigos secretos, não conseguiam tecer considerações razoáveis sobre a atualidade, exatamente por falarem quase que diariamente, sem ter o tempo preciso para analisar e contemplar o processo histórico e político. Como citado no começo do texto, os intelectuais passaram a ser cobrados, atacados e admoestados. A direita os apontavam como parciais ideologicamente; a esquerda cobrava a sua defesa dos ideais sociais ou os nomeavam de traidores por se calarem; por fim, muitos atestavam a morte do intelectual. Mas mesmo assim sua presença foi mais que desejada. Foi exigida pela sociedade civil. Tal demanda esclareceu que o intelectual ainda sustenta posição importante, pois, ao calar-se, atiçou o desejo por sua voz e intervenção. O não-agir acusou a importância de suas ações.

Sendo assim, o que menos poderia se afirmar é que o papel que o intelectual ocupou e ocupa na sociedade seja dispensável. Trata-se, tal equívoco, de uma interpretação precipitada de técnicos do saber, que remonta ao fim de períodos conturbados, quando a "ordem" volta a reinar no mundo dos homens. Uma referência cabal, para entender o que está em discussão, foi o fim do regime autoritário no Brasil, que se iniciou em 1964. Naquele momento, em meados dos anos 1980, quando o governo militar passou por uma abertura "lenta, gradual e segura", e que a elite e a classe média já haviam compreendido o tamanho do erro que haviam cometido ao apoiar tal regime, vários atores passaram a assumir o discurso que até então fora sustentado pela produção e crítica cultural. Se nos anos 1960 e 1970, a oposição ao autoritarismo vinha das categorias intelectualizadas por meio da produção artística - claro, quando não armada - como a música, os quadrinhos, textos literários ou a imprensa alternativa, nos anos 1980, a crítica foi incorporada por vários setores sociais. Os intelectuais de direita, a imprensa grande e parte da sociedade civil viram-se qualificados a elaborar comentários sobre o que se passava, o que sufocou o discurso que até então sustentara a linha de frente do combate aos militares.

Vê-se, pois, que a crise do intelectual se deu devido a mudanças sociais e políticas. Com o retorno da democracia e o fim da ditadura, o estatuto político foi devolvido aos seus verdadeiros titulares: os cidadãos e seus representantes no governo. Soma-se a este fator, ainda, a crescente profissionalização do trabalho intelectual, seja na universidade ou fora dela. Jornalistas, músicos, compositores, professores, pintores, arquitetos etc, foram agrupados na categoria de homens de cultura, inchando e deformando o que seria de fato o intelectual tal como se acostumou a vê-lo.

Ademais, não se poderia propugnar que hoje a literatura de engajamento e o intelectual são dispensáveis, já que são eles que se levantam sempre pelos direitos e valores universais. O que dizer de escritores que viveram em países que enfrentaram governos de opressão e usaram a literatura como forma de resistência? Nomes como os de Júlio Cortazar, Milan Kundera e Vissili Vassilikos, apenas para citar alguns exemplos, demonstraram a importância e a qualidade da literatura engajada, obras que não se tornaram apenas documentos políticos que se perderam com o tempo, mas que produziram textos que são admirados tanto por seu veio crítico como pelo esmero da produção literária. Não se bifurcam, necessariamente, a arte e a política. As obras dos autores acima não podem ser tomadas apenas como manifestação política, haja vista que a qualidade da arte literária transcende o tempo e o local em que foram confeccionadas. Não se trata, então, de impossibilitar a prática política e literária de forma conjunta, mas de ter consciência que a qualidade do texto depende da capacidade artística do autor e não do propósito ao qual se destina. Não se pode afirmar que todas as obras produzidas pelo idealismo moderno são de qualidades inatacáveis e nem que toda literatura engajada seja vazia artisticamente. Tal postura seria incauta por parte do analista e crítico literário, além de generalizante, pois colocaria todo e qualquer texto no mesmo patamar apenas por se vincularem a determinada corrente de pensamento.

Enfim, as considerações que se desenvolveram ao longo do texto procuraram para além de esclarecer o processo de transformação que sofreu o papel do intelectual durante o século XX, fazer uma análise sobre qual a função dos homens de cultura na sociedade globalizada, pós-moderna e aberta a todas as vozes que queiram participar ativamente do debate social. Por mais que a figura do intelectual tenha sido (é) atacada, sufocada e desprestigiada, está claro que seus encargos sociais são indispensáveis, principalmente em períodos problemáticos, no qual todos já ensaiaram uma solução para as querelas que afetam a vida cotidiana e não há nada mais a ser dito, senão por essas figuras que se mantêm afastadas da dinâmica política para avaliar com mais sensatez o que se passa naquele momento. Não é por acaso que suas atitudes muitas vezes são cobradas, exigindo-se que os intelectuais assumam o papel o qual a própria sociedade civil infligiu a eles, e que também eles próprios aceitem com certo regozijo e satisfação pessoal. A título de conclusão, há de se dizer que o cerne do problema não é exatamente o intelectual midiático, mas sua forma de ação. Este, não peca pela vaidade, inerente a todo ser humano, sendo neste aspecto nem melhor e nem pior que qualquer outro. Peca pela presteza, pela rapidez e pelo imediatismo. Deixa-se seduzir pela lógica do sistema e pela ânsia do reconhecimento instantâneo, quando na verdade seu maior orgulho e sua nobre função, estão e sempre estiveram ligados ao apelo que o mundo faz à sua inteligência para resolver questões que todos os outros foram incapazes de solucionar.

REFERÊNCIAS

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[*] Professor do Instituto Federal do Paraná - IFPR/Jacarezinho, Doutorando pela Universidade Federal de Goiás, Bolsista CAPES