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"A
importância do I Simpósio Internacional de Arqueologia Subaquática para a
Arqueologia Brasileira"
Gilson Rambelli (CEANS / NEE / UNICAMP)
Resumo
O Simpósio Internacional de Arqueologia Subaquática – o primeiro realizado
no Brasil – com foro no XIII Congresso da SAB, reunirá pesquisadores de
diferentes países visando, por um lado, por meio da troca de experiências, o
fortalecimento e amadurecimento dos pesquisadores brasileiros nesta área do
conhecimento arqueológico, e por outro, a possibilidade de apresentar às
autoridades brasileiras a "Convenção da UNESCO para Proteção do
Patrimônio Cultural Subaquático" (Paris, 2001), discutindo em detalhes a
importância deste documento para a memória da humanidade, e como o Brasil é
importante nesse processo.
"O
futuro do Patrimônio Cultural Subaquático em águas brasileiras"
Gilson Rambelli (CEANS / NEE / UNICAMP)
Resumo
É difícil mensurar temporal e espacialmente a vastidão do Patrimônio
Cultural Subaquático existente em águas brasileiras. Quantos testemunhos de
atividades humanas passadas se encontram, por um motivo ou outro, submersos em
nossas águas (marítimas, oceânicas, fluviais, lacustres, etc.)? Mas, o fato
de estarem fora do alcance de nossos olhos não significa que estejam
preservados da destruição. Esses bens culturais costumam ser vítimas de obras
de impactos, que ainda não os contemplam como devem e da ação gananciosa
organizada de empresas de caça ao tesouro de mergulhadores
é difícil de é vasto, falando tanto do ponto de vista espacial e
principalmente se considerarmos a extensão de nossa linha de costa, de nossa
rede fluvial e o tempo em que foram utilizadas por seus habitantes e visitantes
e o tamanho de nossa hidrografia sempre foi vítima de diversos tipos de
depredações, desde as mais sórdidas intenções até acidentais... Mas, o
maior problema ainda se expressa na questão conceitual. O que vem a ser este
patrimônio e como mudarmos a compreensão da arqueologia, que hoje não só
escava, para garantirmos o seu futuro.
"Arqueologia
de uma nau da carreira da Índia naufragada em Portugal"
Filipe Castro (Institute of Nautical Archaeology / Texas A&M University);
Resumo
Em 1993 um grupo de arqueólogos amadores encontrou os restos de uma nau da
carreira da Índia em São Julião da Barra, na foz do Rio Tejo, Lisboa,
Portugal, provavelmente da Nossa Senhora dos Mártires, ali naufragada em
1606. A escavação arqueológica do sítio, designado SJB2, decorreu
entre 1996 e 2000, a cargo do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e
Subaquática e do Institute of Nautical Archaeology, sediado na Texas A&M
University, em College Station, Texas, nos Estados Unidos da América. Os
trabalhos de interpretação e análise dos dados desta escavação continuam a
produzir resultados, e a reconstrução dos restos arqueológicos do casco
trouxe à luz do dia uma imagem do que eram estes navios, talvez as máquinas
mais sofisticadas produzidas no seu tempo.
"Arqueología
Subacuática en México"
Pilar Luna Erreguerena (Subdirectora de Arqueología Subacuática Instituto
Nacional de Antropología e Historia)
Resumo
O patrimônio cultural subaquático do México, do tempo pré-histórico ao
presente, encontra-se tanto em águas marinhas como nas continentais.
Em 1980 o Instituto Nacional de Antropología e Historia (INAH) criou a área de
arqueologia subaquática para proteger, investigar, conservar e difundir este
legado por meio dos projetos oficiais em que participam especialistas de
disciplinas e nacionalidades variadas.
Como em outros países, a ameaça principal ao patrimônio cultural subaquático
do México provém de grupos de caçadores de tesouros, principalmente
norte-americanos. Os desafios têm sido muitos e para vence-los contamos com o
apoio de um grande número de pessoas e instituições, nacionais e
estrangeiras.
A
arqueologia náutica e subaquática em Portugal e a Convenção da UNESCO
Francisco J. S. Alves (Diretor do CNANS / IPA / Ministério da Cultura)
Resumo
Nascida no início dos anos 80 no âmbito do Museu Nacional de Arqueologia, a
arqueologia náutica e subaquática em Portugal, assumida no início dos anos 90
em parceria com uma ONG então criada nessa área do patrimônio (a associação
Arqueonáutica) – que viria a ter um papel decisivo no debate
político-cultural que então se travava sobre a exploração comercial de bens
do patrimônio subaquático ("caça ao tesouro") – acabaria por ser
assumida a partir de 1996-1997 como vertente da arqueologia de pleno direito, e
por ser regulamentada e gerida a partir de então em conformidade com os
pressupostos universais desta disciplina, constituindo-se assim como um exemplo
premonitório da Convenção para a Proteção do Patrimônio Cultural
Subaquático que viria a ser aprovada em Paris em 2001 na 31ª Conferência
Geral da UNESCO.
"Os
desafios do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática (CEANS), do
Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (NEE/UNICAMP)"
Paulo Bava de Camargo (CEANS / NEE / UNICAMP)
Flávio Calippo (CEANS / NEE / UNICAMP);
Resumo
O CEANS / NEE / UNICAMP representa o primeiro centro brasileiro especializado
nesta temática, reconhecido e parceiro de diferentes instituições de
pesquisas nacionais e internacionais. Sua missão vai além da concretização
da pesquisa arqueológica subaquática sistemática, por meio da participação
em projetos multidisciplinares, pois desenvolve programas de conscientização e
de educação patrimonial, como os programas da Nautical Archaeology Society
(ONG britânica) de Introdução à Arqueologia Subaquática, que permitem a
qualificação de arqueólogos e a preparação de mergulhadores voluntários.
Logo, compreende o Patrimônio Cultural Subaquático como uma herança comum da
Humanidade o qual ninguém tem o direito de explorar em benefício próprio.
"O
potencial da Arqueologia subaquática: o caso de uma nau Basca do século XVI
de Red Bay à Labrador, Canadá".
Robert
Grenier (Chefe do Serviço de Arqueologia Subaquática do PARCS Canadá /
Presidente do ICUCH / ICOMOS)
Resumo
Antes da descoberta em 1978 do baleeiro basco San
Juan ocorrido próximo a Red Bay, em Labrador, em 1565, pouco
conhecimento preciso existia sobre a concepção e a construção de galeões
ibéricos
da Renascença. 14.000 horas de mergulho
efetuadas durante oito anos em águas árticas à zero graus, permitiram à
equipe de arqueologia subaquática do Parcs Canada revolucionar os conhecimentos
sobre estes tipos de navios tão importantes nos séculos XV e XVI, época das
descobertas e das primeiras horas de exploração das riquezas do Novo Mundo.
Esta escavação tornou-se, por sua metodologia rigorosa e suas inovações
técnicas, uma referência internacional. De fato, esses resultados demonstram
que a arqueologia subaquática pode ter ótimos métodos de escavação assim
como os usados na arqueologia terrestre.