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2.
Os índios cavaleiros defrontam-se com as monções no rio Taquari (continuação
da Primeira parte)
Ir
para a
Terceira parte
Deslocados
do Chaco para o Pantanal devido ao encontro e confronto com outros grupos indígenas
e com os espanhóis, os Eyiguayegui defrontaram-se com um outro inimigo, os
luso-brasileiros, que pretendiam realizar seu sonho de riquezas nas terras da
Capitania de Mato Grosso[i].
Um período conturbado e decisivo para a história do grupo, que começou a
ficar encurralado entre as pretensões territoriais das duas coroas ibéricas.
Do lado oriental do rio Paraguai, enfrentava os espanhóis; do lado ocidental,
os lusitanos; e ainda disputava a área com outros grupos indígenas. A
movimentação gerada por estes encontros e confrontos foi intensa e decisiva
na história do grupo.
No
final do século XVII, várias bandeiras haviam percorrido o interior do Brasil,
mas foi Pascoal Moreira Cabral, em 1719, que encontrou o metal precioso no rio
Caxipó-Mirim. E, depois de quatro anos, Miguel Sutil descobriu, no local onde
nasceria a Vila Real do Senhor do Bom Jesus do Cuiabá, os aluviões, “as
lavras do Sutil”[ii].
A
sede pela obtenção do ouro provocou a fixação de povoamentos
luso-brasileiros na região. Se, antes, o conflito com os índios era pela mão-de-obra
escrava, através do apresamento feito pelos bandeirantes, com a descoberta do
ouro, os luso-brasileiros passaram a disputar suas terras. Os bandeirantes, no século
XVII, já haviam estabelecido uma relação conflituosa com os índios - prática
de violência e escravidão – sem nenhum controle por parte da Coroa
portuguesa, provocando uma destruição incalculável entre muitos grupos indígenas.
O
palco do encontro e confronto com os luso-brasileiros foi o Pantanal, conhecido
no início da penetração européia pela designação de lagoa de Xaraiés. Os
primeiros cronistas davam à região o nome de terra dos Xaraiés e o nome
perdurou até o início do século XIX, quando passou a receber a denominação
de Pantanal. Diferentemente
dos relatos dos espanhóis no século XVI, os monçoeiros anunciavam um
sentido de relato prático, “quase didático, nos
quais se procura ensinar a outros viajantes como vencer as agruras do difícil
percurso fluvial.(...) Com elas se rompe a tradição fantástica. No lugar de
Xarayes inscrevem, então, Pantanais”[iii].
Vários
grupos indígenas instalaram-se na região do Pantanal, dentre eles os Aruaque,
os Guarani, os Guató e os Guaicuru. Os Guaicuru do sul, devido à pressão
espanhola, fundiram-se com os Mbayá do norte no final do século XVII, passando
a fixar-se na região do Pantanal no século XVIII.
A partir desse
momento, os Eyiguayegui tiveram que enfrentar as expedições punitivas
espanholas e portuguesas. Apesar disso, continuaram com suas incursões e
permaneceram como voz discordante da
política de conquista, expansão e colonização ibérica. Esse grupo, segundo
Bastos, tornou-se dominador “da região
situada entre o Ipané e o Taquari e desta forma surgiu um território tampão
entre as duas regiões coloniais (portuguesa e espanhola)”[iv].
O
perigo Guaicuru alastrou-se e tornou-se um problema para a Coroa
portuguesa que, após a descoberta do ouro em Cuiabá (1719) e no Guaporé
(1734), pretendia alastrar seus domínios e criar uma nova Capitania, ato
administrativo português que fazia parte da política expansionista do Brasil
colonial. Além da ação guerreira dos Eyiguayegui, destacada por muitos
pesquisadores como um dos motivos da permanência do grupo na região do
Pantanal, o aspecto geográfico também favoreceu sobremaneira a perpetuação
da hegemonia do grupo sobre os ibéricos. Mas, para Bastos, a presença desse
grupo indígena foi o principal problema para a colonização luso-brasileira.
Para ele,
A
própria região de Itatins era favorável à infiltração de populações que
desejassem mover luta sem quartel aos inimigos europeus, pois possuía em seu
interior a Serra de Bodoquena. Nesta os índios encontravam condições ideais
de sobrevivência. Fixemos os aspectos fundamentais do problema: a existência
de uma região na qual os Guaicuru tornaram-se senhores absolutos por se fixarem
nela desde o final do século XVII ou início do XVIII, permanecendo como
principal grupo de ocupação até a primeira metade do século XIX. Os colonos
europeus não ocuparam a região ou porque a fronteira indígena fosse muito
viva ou por desinteresse econômico. Julgamos que
a presença dos Mbayá impediu a fixação de europeus na área da província
paraguaia[v].
Com
a descoberta de ouro, as monções passaram a deslocar um grande número de
pessoas para a Capitania de Mato Grosso, em busca da riqueza nas Minas de Cuiabá.
As monções eram exclusivamente fluviais, seguiam roteiros fixos, passando por
pontos conhecidos, nos quais, com o tempo, formavam-se arraiais. O objetivo das
monções era chegar às minas de ouro nos rios Cuiabá e Guaporé.
Houve
mais de um roteiro para se chegar às minas, mas o mais percorrido foi o que,
depois de navegar o Tietê, descia o Paraná até o Pardo; subia-se esse rio até
o varadouro da Fazenda de Camapuã, de cerca de 14 Km, que levava à bacia do
rio Paraguai; descia-se, então, o Taquari e subia-se o Paraguai e o Cuiabá,
para chegar às minas e à cidade do mesmo nome[vi].
Os rios pantaneiros transformaram-se em caminhos das monções.
Diferente
dos componentes das bandeiras, os integrantes das monções não eram indivíduos
aventureiros, mas sim padres, militares, artesãos e, principalmente, mercadores[vii].
Já vinham com certo intuito de tentar se fixar na região.
A
navegação era dificultada pelos obstáculos naturais, dentre eles, cachoeiras
e mosquitos, que atrapalhavam sobremaneira as viagens dos monçoeiros. Os índios
também eram incluídos nessa categoria de obstáculos naturais, próprio do
pensamento europeu da época que aproximava o índio da natureza, o selvagem, não
muito diferente da visão idealizada de muitos românticos contemporâneos que
estabelecem uma ligação direta do índio com a natureza.
Depois
das monções enfrentarem os Caiapó, próximo ao rio Coxim, passavam a
enfrentar, segundo Afonso E. Taunay, a ação guerreira de um outro grupo indígena
hostil, os Guaicuru ou cavaleiros, que
atacavam as monções principalmente num lugar chamado Prensa no rio Taquari -
passagem desses índios, em suas correrias, para o Pantanal -, onde o rio é
mais estreito e baixo: eles “andam
sempre em grandes tropas de 500 até 1000, e se é necessário ajuntam-se mais,
porque são muitos os reinos, e cada um só por si terá mais de 9.000
cavalos”[viii].
Segundo Corrêa Filho,
Um
possível confronto com os Guaicuru sempre atemorizou os viajantes que cruzavam
os sertões e os pantanais, ficando vulneráveis e sem defesa em campo aberto.
Nesses ataques, era comum esses indígenas utilizarem como tática de guerra o estouro
da cavalhada ou de rebanhos bovinos em direção aos seus inimigos[ix].
Os
relatos do século XVIII estão sempre alertando para a possibilidade das monções
se confrontarem com os Guaicuru ou os Índios
Cavaleiros no rio Taquari. Mas o temor maior, no entendimento de Taunay,
ficava por conta de outro grupo hostil que atacava as monções na água, os
Paiaguá, a mais temível de todas as nações indígenas. Segundo Taunay, a nação
dos Paiaguá era mais perigosa para as monções porque atacava nas águas,
enquanto que o cavaleiro procurava
atacar sempre em campo aberto. Mesmo assim, afirmava ele, “pobre de vóis se encontrardes um ou outro! Trazei limpas e prontas
sempre as armas e com cartuchos feitos como usa a infantaria, nas campanhas,
porque as investidas destes gentios são de súbito, e repentinas”[x].
Os Paiaguá concentravam-se sobretudo no rio Paraguai.
Conforme
relato, em 1788, “baixando de Cuiabá e
São Paulo encontrou Lacerda e Almeida os Paiaguá quase aniquilados, devido
aos Eyiguayegui”[xi]. Talvez Lacerda e Almeida tenham encontrado poucos
Paiaguá na região, por estes terem se deslocado para Assunção e feito aliança
com os espanhóis. O relato ainda destaca a tática dos índios cavaleiros que
deixavam os cavalos e embarcavam nas canoas e, à moda dos Paiaguá atacavam as
monções[xii].
Percebe-se novamente a mudança de tática dos índios cavaleiros, que
utilizariam, se fosse necessário, a canoa para atacar as monções. Quanto à
questão da tática desses índios, fica claro nos relatos que eles “nunca
travavam combate nem empreendiam uma guerra, se julgavam que havia sério perigo
para a vida mesmo de um só deles”[xiii].
Como
o rio Taquari era de fácil navegação, já não havia mais cachoeiras, o
perigo maior era os possíveis ataques dos índios cavaleiros (temidos em terra,
nos campos abertos) e dos Paiaguá (temidos nas águas), aliados desde 1719 com
os índios cavaleiros, a aliança desfeita em 1768, quando os Paiaguá uniram-se
aos espanhóis de Assunção. Tempos em que ficava difícil penetrar os
pantanais da Capitania de Mato Grosso. Anunciavam os relatos que “se adentrando as águas do Taquari, implícita ou explicitamente, os monçoeiros
registravam iniciam-se os Pantanais”[xiv].
Segundo
Silvia M. Schmuziger
Carvalho, os Paiaguá diminuíram os ataques às monções a partir da metade do
século XVIII. Aos poucos, os Paiaguá deslocaram-se para
Assunção, onde, em 1791, comprometeram-se a viver em paz com os
moradores da Província do Paraguai. No século XIX, segundo Rengger, “nenhum problema representavam os
Paiaguá para o governo de Francis e, no fim do século, só restavam cinqüenta
pessoas”[xv].
Esse mesmo processo de diminuição da população Paiaguá também atingiu os
Eyiguayegui.
Enquanto
Taunay acreditava que os Paiaguá eram a mais temível dentre todas as nações
indígenas, para Alexandre Rodrigues Ferreira, “dentre todos eles, os Guaicuru (cavaleiro) são, sem dúvida, os mais audazes e belicosos”[xvi].
Uma
das alternativas para fugir dos índios cavaleiros, segundo os relatos monçoeiros,
era a de as pessoas embrenharem-se no mato, onde dificilmente os índios
cavaleiros penetrariam com seus cavalos. Esse tipo de alerta também aparece no
relato de Rodrigues do Prado em 1795. Ele também destacou as táticas de ataque
usadas pelo grupo na hora de atacar e enfrentar as expedições e enfatizou o ardil
da traição como uma característica pertencente ao grupo. Porém Prado
salientou como um aspecto positivo entre os Eyiguayegui que quase não havia
problema de doenças, fator que provocou inúmeras mortes entre o grupo após um
contato mais intenso com os luso-brasileiros.
Em
1726, por exemplo, uma monção foi salva do ataque dos índios cavaleiros
porque encontraram uma parte funda do rio; na terra, um capão de mato; e, na
parte do campo, encontraram um grande pantanal com água e lodo. Cercados por 7
dias, e desesperado o gentio de os não
poder assaltar, se retirou[xvii].
Os
ataques dos índios cavaleiros eram feitos em campo aberto. Montando sem sela,
agarrando-se à crina do cavalo, o corpo inclinado para o lado a fim de não
constituir alvo fácil, eles avançavam em formação cercada, munidos de
boleadora e lança sobre os seus inimigos[xviii].
Havia
possibilidade dos Eyiguayegui estabelecerem negociação política, em vez de bélica,
com os luso-brasileiros. Num dos episódios descritos nos relatos monçoeiros de
Taunay, o cabo da armada de uma das expedições punitivas enviadas pelo governo
colonial à Capitania de Mato Grosso teve a oportunidade de negociar com um dos
chefes do grupo, entretanto ele não percebeu a importância política dessa
negociação para o governo. O chefe Cavaleiro ofereceu ajuda aos paulistas para
atacar os Paiaguá, mas o cabo da armada prendeu o Cacique juntamente com alguns
dos seus parentes. No final o relato, alerta para que, depois desse episódio,
os cuiabanos não se queixem dos ataques dos Cavaleiros[xix].
As
notícias dos ataques dos índios cavaleiros e outros grupos indígenas às monções
e moradores certamente inquietaram a Coroa portuguesa, que tomou providências
no sentido de tentar conter o perigo
Guaicuru.
A
disputa entre portugueses e espanhóis acirrou-se após o término da chamada
Guerra Platina (1735-1737) e o ponto de tensão deslocou-se do Sul para o
Centro-Oeste. Pelo Tratado de Tordesilhas, não havia dúvida de que a ocupação
portuguesa da margem direita do Guaporé era indevida. Nesses longínquos tempos
coloniais, a situação não era tão nítida: os mapas eram imprecisos e nenhum
país tinha a noção exata de sua posição no terreno sobretudo os mineradores
brasileiros que estavam ocupando aquelas terras. As relações comerciais entre
os núcleos portugueses de Cuiabá e de Guaporé, de um lado, e os espanhóis de
Moxos, de Santa Cruz e de Chiquitos, de outro, eram tênues, mas existiam quase
que por necessidade de sobrevivência mútua e contrariando as instruções das
metrópoles.
A
descoberta do ouro no rio Guaporé, em 1734, a cerca de seiscentos quilômetros
a oeste de Cuiabá, foi um marco fundamental para a ocupação colonial do
extremo-oeste brasileiro. Os garimpeiros passaram a receber apoio financeiro
necessário da Coroa portuguesa, para explorar uma área que era considerada
castelhana pelos jesuítas espanhóis. Em 1742, estabeleceu-se a ligação
fluvial com Belém, pelos rios Guaporé, Madeira e Amazonas, e, em 1748,
criou-se a Capitania do Mato Grosso, com a determinação de se fundar um
povoado à margem do Guaporé. Sendo que, o estabelecimento do primeiro capitão
general, Antonio Rolim de Moura, somente ocorreu, em 1751. Após a criação da
Capitania, aumentou a tensão na fronteira entre espanhóis e portugueses. Em
1752, Vila Bela da Santíssima Trindade tornou-se capital da Capitania. O
Tratado de Madri, de 1750, garantiu aos portugueses praticamente todas as terras
que haviam conquistado. O núcleo criado tinha como objetivo garantir e
consolidar a ocupação definitiva do extremo-oeste do território brasileiro,
servindo de centro aos vários núcleos mineradores existentes naquele território.
Os Tratados de Madri, do Pardo (1761), Santo Ildefonso (1777) e Badajós (1804)
procuravam garantir a paz entre portugueses e espanhóis[xx].
As
fronteiras coloniais entre portugueses e espanhóis não estavam definidas e
“quaisquer futuras negociações, sabiam-na ambas as partes, levariam em
consideração os territórios até então ocupados”[xxi].
A
criação da Capitania de Mato Grosso tinha como um dos seus objetivos garantir
a posse da região, tornando mais efetiva a argumentação usada pela diplomacia
portuguesa do uti possidetis,
implementado pelo Tratado de Madri. Nádia Farage afirma que a consolidação do
Tratado de Madri “envolvia a população
indígena da colônia, prevendo o aldeamento
de índios, especialmente nos limites das capitanias”[xxii].
Enquanto
as Coroas ibéricas procuravam resolver o problema de definição das
fronteiras, vários confrontos desenrolaram-se entre os luso-brasileiros e os
Eyiguayegui no sul da Capitania de Mato Grosso. O grupo contestava a invasão de
suas terras e lutava abertamente contra as monções paulistas, os mineradores,
os padres e os comerciantes que se deslocavam pela região. Segundo Bastos, por
vezes os ataques indígenas desencadeavam-se junto à cidade mineira (Cuiabá)[xxiii].
Entre
1725-1775, Francisco Rodrigues do Prado narrou vários confrontos entre os
luso-brasileiros e os índios cavaleiros ocorridos na Capitania de Mato Grosso, nos quais enfatizou, embora não
abertamente, a importância daquela região para as pretensões portuguesas.
Para que a Coroa portuguesa tivesse êxito definitivamente na ocupação da
Capitania, algo deveria ser feito em relação aos ataques daquele grupo indígena
às monções e moradores da região. Conforme o testemunho de Rodrigues do
Prado, por volta de 1719, outros “selvagens” denominados Paiaguá,
habilidosos na água, fizeram aliança com os Guaicuru, que aprenderam[xxiv]
a utilizar a canoa para atacar os comerciantes que vinham de São Paulo a
Cuiabá.
Segundo Prado, os mais terríveis e
populosos dos grupos indígenas eram os Guaicuru, já que os Paiaguá, como
destacou o general da Província do Paraguai, D. Joaquim Alves, em 1672, no
mesmo relato, eram menos perigosos e possuíam população muito menor que a dos
Guaicuru, não excedendo a mil pessoas[xxv]. A aliança foi uma estratégia muito vantajosa para
os dois grupos. Juntos, dificultavam a ação punitiva luso-brasileira e
aumentavam o poder de seus ataques realizados pelos rios e pela terra. A aliança
consolidada em 1719 somente foi desfeita no ano de 1768. Segundo Bastos, somente
quando os dois grupos indígenas se separaram foi que a rota das monções
tornou-se menos perigosa e os Eyiguayegui “tornaram-se
senhores absolutos da região compreendida entre o Miranda e o Ipané”[xxvi].
Rodrigues
do Prado iniciou seu comentário, narrando um ataque ocorrido em 1725, que foi
se multiplicando em vários outros até 1733. Os índios cavaleiros e os Paiaguá
atacavam juntos as monções e moradores, causando muitas mortes e prejuízos. A
notícia desses ataques chegou ao ouvido do rei de Portugal, que, conforme as
palavras de Prado, movido de compaixão
por seus vassalos mandou ao general de São Paulo para mandar fazer guerra aos
gentios a custa da real fazenda[xxvii].
Segundo Maria de F. Costa,”para a
economia e povoamento das minas portuguesas, e conseqüentemente para assegurar
o rico território conquistado dos espanhóis, o governo lusitano empreendeu
uma verdadeira guerra de extermínio contra esses índios”[xxviii].
Apesar
de ter sido organizada uma grande armada contra os Índios
Cavaleiros em 1734 e ter-se empreendido grandes estragos contra eles, os
ataques dos Eyiguayegui continuavam. A diferença dos primeiros ataques foi que
o grupo levou parte da mercadoria, aumentando a esperança do governo em
persuadi-los a comerciar com os luso-brasileiros. “Este foi o primeiro raio de esperança que houve do gentio de procurar
aliança, por gostar das mesmas coisas que antes desprezava; porém ainda assim
continuaram seus insultos”, tanto que, entre 1736 e 1775, ocorreram inúmeros
assaltos aos comerciantes e aos moradores da região. Luiz Albuquerque de Mello
Pereira e Cáceres, governador da capitania de Mato Grosso e Cuiabá, preocupado
com os danos causados por aqueles selvagens, pois avaliavam-se em mais de 4.000
mil as mortes de portugueses e a perda econômica em mais de três milhões. O
governador Luiz Albuquerque mandou sair de Vila Bela, aos 9 de maio de 1775, o
capitão de auxiliares Mathias Ribeiro da Costa e uma equipe de soldados para
fundar o Real Presídio de Nova Coimbra[xxix].
Voltar para a
Primeira parte
Continua
na
Terceira parte
[i]
Alguns estudiosos do assunto datam a passagem dos Guaicuru para a vertente
oriental do rio Paraguai como sendo no século XVII. Para Bastos, essa
passagem ocorreu em 1661, quando os Mbayá-Guaicuru teriam
passado a leste do rio Paraguai, continuando em seguida suas expedições.
Ter-se-iam gradualmente assenhoreado da província dos Itatins que começava
no Jejui além dos 24 graus da latitude sul. BASTOS BASTOS, Uacury
Ribeiro de A. Expansão Territorial do Brasil Colónia no Vale do Paraguai (1767-1801).
Op. cit. p. 151
[ii]
No período em que Pascoal Moreira Cabral descobriu o ouro em Cuiabá, a
Província paraguaia encontrava-se em conflito interno, na chamada revolução
dos comuneros que, em sua segunda etapa, perdurou de 1715 a 1735. Nesse período,
os espanhóis ficaram impossibilitados de tomar qualquer atitude em relação
às penetrações brasileiras na bacia do Paraguai BASTOS, Uacury Ribeiro de
A. Expansão Territorial do Brasil Colónia
no Vale do Paraguai (1767-1801). Op. cit. p. 130. Em 1722, Miguel Sutil
descobre nova jazida no córrego da Prainha. E, em 1727, foi fundada a Vila
do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, por Rodrigo César de Meneses.
[iii]
COSTA, Maria de Fátima. História de
um país inexistente. Op. cit. p.180
[iv]
BASTOS, Uacury Ribeiro de A. Expansão
Territorial do Brasil Colónia no Vale do Paraguai (1767-1801). Op. cit.
p. 31
[vi]
GÓES FILHO, Synesio S. Art: este artigo reproduz, com pequenas modificações
e com o acréscimo de último item, o capítulo “Monções: a ocupação
do Oeste” d livro do mesmo autor, intitulado Navegantes,
Bandeirantes, Diplomatas. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 3
[viii]
TAUNAY, Afonso de E. Relatos Monçoeiros. v. 33, São Paulo: Itatiaia, 1981.
p.124
[ix]
CORREA, Valmir Batista. O vôo do cara-cará a questão indígena na formação
da fronteira oeste. In: Tellus: Núcleo
de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas – NEPPI, Campo Grande:
UCDB, p. 26-40, out. 2001, p. 31
[x]
TAUNAY, Afonso de E. Relatos Monçoeiros. op. cit. p. 42
[xiii]
BOGGIANI, Guido (Trad. De Amadeu Amaral Jr.). Os
Caduveos. Belo Horizonte: Itatiaia, 1975. p. 283
[xiv]
COSTA, Maria de Fátima. História de
um país inexistente. Op. cit. p. 186
[xv]
CARVALHO, Silvia M. Schmuziger. Chaco: Encruzilhada de povos ou “Melting
Pot” Cultural. Suas relações com a bacia do Paraná e o Sul
mato-grossense. In: CUNHA, Manuela Carneiro (Org.). História
dos índios do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, Secretaria
Municipal de Cultura, FAPESP, 1992. p. 466
[xvi]
FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem
filosófica pelas capitanias do Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá.
São Paulo: Conselho Federal de Cultura, 1974. p. 75
[xvii]
TAUNAY, Afonso de E. Relatos Monçoeiros. Op. cit. p.189
[xviii]
CARVALHO, Silvia M. Schmuziger. Chaco: Encruzilhada de povos ou “Melting
Pot” Cultural. Suas relações com a bacia do Paraná e o Sul
mato-grossense. Op. cit. p.467
[xix]
TAUNAY, Afonso de E. Relatos Monçoeiros. Op. cit. p. 125
[xxi]
FARAGE, Nádia. As muralhas dos sertões: os povos indígenas no rio Branco e a
colonização. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, ANPOCS, 1991. p. 123
[xxiii]
BASTOS, Uacury Ribeiro de A. Expansão
Territorial do Brasil Colónia no Vale do Paraguai (1767-1801). Op. cit.
p. 32
[xxiv]
A canoa já era utilizada pelos Eyiguayegui antes da aliança com os Paiaguá.
[xxv]
PRADO, Francisco Rodrigues do. História dos Índios Cavaleiros ou da Nação
Guaycurú. Op. cit.p. 33
[xxvi]
BASTOS, Uacury Ribeiro de A. Expansão
Territorial do Brasil Colónia no Vale do Paraguai (1767-1801). Op. cit.
p. 33
[xxvii]
PRADO, Francisco Rodrigues do. História dos Índios Cavaleiros ou da Nação
Guaycurú. Op. cit. p. 39
[xxviii]
COSTA, Maria de Fátima. História de
um país inexistente. Op. cit. p. 53
[xxix]
PRADO, Francisco Rodrigues do. História dos Índios Cavaleiros ou da Nação
Guaycurú. Op. cit. p. 34-35