Sobre a autora[1]
A literatura sobre o ensino de História amplia-se a cada dia, mas
continuam raros os estudos que partem das experiências desenvolvidas em sala de
aula. Esta coletânea parte dessas vivências cotidianas, articulados em dois
eixos: trajetórias e movimentos. Daí a importância da publicação de obras sobre
o tema do ensino de História, como a iniciativa da Universidade do Estado de
Mato Grosso[2].
Thais Fonseca começa com um balanço da historiografia do ensino de História no
Brasil. Nota que a maior parte dos estudos privilegia o ponto de vista
dominante. As mudanças curriculares a partir de meados dos anos 1980 levaram à
História local e à maior integração entre a produção acadêmica e o ensino.
Osvaldo Cerezer explora os problemas e potencialidades do estágio
supervisionado. Cabe aos professores perceberem a escola como realidade
multifacetada, com suas incertezas, conflitos e interesses.
Valeska Oliveira aponta para a necessidade de um professor mais ligado,
que use uma linguagem mais próxima dos estudantes. Renilson Ribeiro dá
continuidade a seus estudos sobre os livros didáticos e ressalta que, desde a
década de 1980, introduziu-se nas pesquisas sobre o ensino de História a
preocupação com o desenvolvimento de procedimentos da pesquisa histórica na sala
de aula. Os excluídos da História foram incorporados e, hoje, procura-se criar
novas práticas de leitura e interpretação do mundo, ao evitar o dogmatismo. Nauk
de Jesus e Luiz Symansky voltam-se para um dos grupos excluídos: os africanos e
afro-descendentes. Constatam que muitas vezes tais temas não estão bem
representados nos livros didáticos. .
Roberto Ferreira dá continuidade ao tema afro, com o estudo das famílias
escravas na sala de aula. Lucybeth de Arruda volta-se para outro grupo humano
excluído, ao explorar a questão indígena em Mato Grosso. Visa a oferecer
estratégias de uso da documentação sobre os índios na sala de aula. Naine de
Jesus explora o uso de vídeos e áudios nas aldeias indígenas, como meio de
estudo da História. Nos audiovisuais produzidos pelos e sobre os índios é
possível mostrar aos alunos como eles podem ser sujeitos da sua própria
História. Marion Valério conclui o volume, com um belo estudo sobre Dom Pedro
Casaldáliga e o ensino de História.
O volume congrega jovens pesquisadores que se dedicam ao tema do ensino de
História. Apresentam reflexões teóricas e metodológicas bem fundamentadas e
atualizadas, ancoradas em estudos de caso que partem da sala de aula. Como
ressalta Paulo Miceli, no prefácio, a cada capítulo o leitor é lembrado que toda
História e História do presente, um compromisso social. Para ensinar História é
preciso saber e só se sabe a partir de uma prática constante de pesquisa e de
problematização do conhecimento. Obra original, ela merece a leitura atenta, por
parte dos que se interessam por uma História engajada e transformadora.
[1]
Licenciada em História, Mestre e Doutora em História pela Unicamp,
Colaboradora em Pós-doutoramento no Departamento de História da Unicamp.
[2]
Nauk María de Jesus, Osvaldo Mariotto Cerezer, Renilson Rosa Ribeiro,
orgs, Ensino de História, Trajetórias em Movimento. Cáceres,
Unemat, 2007, 120pp., ISBN 8589898636.