A preocupação com o Patrimônio Cultural Subaquático não faz parte do
discurso apenas dos arqueólogos brasileiros
A
preocupação com o Patrimônio Cultural Subaquático não faz parte do discurso
apenas dos arqueólogos brasileiros. Renomados arqueólogos subaquáticos de
outros países, presentes aqui por ocasião do I Simpósio Internacional de
Arqueologia Subaquática realizado durante o XIII
Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB - entre 5 e 7 de
setembro em Campo Grande/MS, apoiaram e incentivaram os arqueólogos
subaquáticos brasileiros a continuar seus trabalhos e na luta pela mudança da
lei brasileira que trata de tal patrimônio. Esta posição foi explicitada por
meio da produção de uma Moção – aprovada por unanimidade em assembléia
geral da Sociedade de arqueologia Brasileira (SAB) – , que será enviada ao
Ministério Público Federal, Senado e Congresso Nacional, visando a mudança da
lei federal 10.166/00 e a ratificação da "Convenção da UNESCO para
Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático".
Autoridades
mundiais em arqueologia subaquática, como o canadense Robert Grenier - Chefe do
Serviço de Arqueologia Subaquática do PARCS Canadá / Presidente do ICUCH /
ICOMOS, a mexicana Pilar Luna Erreguerena - Subdiretora de Arqueologia
Subaquática - INAH Instituto Nacional de Antropologia e Historia e o português
Francisco Alves- Diretor do CNANS
/ Ministério da Cultura deliciaram o público presente com a apresentação
de diferentes trabalhos realizados embaixo d’água de seus países, com o
mesmo rigor científico dos trabalhos realizados em superfície. Essas
experiências foram também compartilhadas pelos trabalhos apresentados pelos
arqueólogos brasileiros do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e
Subaquática do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de
Campinas- CEANS/NEE/UNICAMP, resultando o fortalecimento e amadurecimento dessa
especialização da arqueologia.
Mas,
mesmo com todo atrativo das pesquisas arqueológicas apresentadas, o tema mais
importante do encontro foi a discussão sobre a legislação brasileira, que é
considerada uma das piores do mundo, fato que sustentou a importância da
ratificação imediata pelo Brasil imediata pelo Brasil da
"Convenção
da UNESCO para Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático". Esta
é um instrumento jurídico internacional elaborado para assegurar a proteção
do Patrimônio Cultural Subaquático em todo o mundo. O Brasil, durante a
31ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em novembro de 2001, não apoiou o
texto da Convenção porque antes disso, em 27 de dezembro de 2000, foi
sancionada a atual Lei Federal n° 10.166, contraditória a Convenção e
que permite a comercialização de bens culturais submersos, estabelecendo valor
de mercado a eles e recompensas aos exploradores.
O apelo para a adoção da convenção foi formalizado através da produção da
"MOÇÃO
DO I SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA". Resta
esperar o que será feito pelas autoridades brasileiras responsáveis pela
proteção de nosso patrimônio.
Saiba
mais sobre o do I Simpósio Internacional de Arqueologia Subaquática.