ISSN 1807-1783                atualizado em 01 de março de 2007   


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“Ilha do Bom Abrigo” é ponto chave da ocupação do litoral sul paulista

por Gloria Tega


Leandro Domingues Duran em uma das etapas de Arqueologia subaquática da sua pesquisa
Foto de Gloria Tega

A “Ilha do Bom Abrigo”, localizada na cidade de Cananéia, extremo sul do litoral paulista, foi e ainda é um dos mais importantes pontos de parada e reabastecimento das embarcações que navegam pelas regiões sul e sudeste do Brasil. Essa é uma das principais conclusões do arqueólogo Leandro Domingues Duran, que há 3 anos pesquisa a Ilha através do projeto de doutorado “A história submersa: arqueologia subaquática no resgate da história marítima da Ilha do Bom Abrigo, no litoral sul de São Paulo”. Projeto este realizado no âmbito de um programa de pesquisa do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP), intitulado “Programa Arqueológico do Baixo Vale do Ribeira”, que é coordenado pela Profa. Dra. Maria Cristina Mineiro Scatmachia.

Duran, que está em fase de finalização de suas pesquisas, explica que seu projeto é analisar a Ilha como um todo, como um artefato histórico ligado ao desenvolvimento da sociedade imperial e colonial do Brasil, especialmente da área de Cananéia e Iguape. “Acredito que minha pesquisa vai contribuir para uma melhor compreensão da sociedade brasileira. As minhas primeiras conclusões são que a Ilha do Bom Abrigo foi um elemento imprescindível para a formação e desenvolvimento dessa região”, esclarece. Isso porque até hoje a Ilha do Bom Abrigo é o ponto preferido por ser o mais seguro entre Santos e Paranaguá.


As embarcações que ainda hoje utilizam como abrigo a enseada da Ilha
Foto de Gloria Tega

A pesquisa do arqueólogo, que também é membro do Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas - CEANS/NEPAM/UNICAMP, contou com várias etapas arqueológicas de campo, tanto terrestres como subaquáticas. “O primeiro sítio previamente identificado na Ilha, através de registros históricos e investigação material,  foi a Armação de Baleia, que era uma espécie de “fábrica” de azeite de baleia, utilizado principalmente como combustível para iluminação, isso da segunda metade do século XVIII até a primeira metade do século XIX. Foram realizadas também prospecções geofísicas que incluíram todo o contorno da ilha, com ênfase ao lado norte e sudoeste, onde concentraram-se as atividades náuticas da Ilha. Em janeiro deste ano as pesquisas arqueológicas subaquáticas puderam identificar e comprovar o sítio depositário da enseada da Ilha do Bom Abrigo. Assim, através desses resultados iniciais eu pude concluir esse grande papel no desenvolvimento da região”, explica Duran.

Leandro Domingues Duran pretende encerrar suas pesquisas ainda neste ano, contando ainda  com mais uma etapa de campo na área da Armação de Baleia.


As ruínas da Armação de Baleia escondidas pela vegetação
Foto de Gloria Tega