A
“Ilha do Bom Abrigo”, localizada na cidade de Cananéia, extremo sul do
litoral paulista, foi e ainda é um dos mais importantes pontos de parada e
reabastecimento das embarcações que navegam pelas regiões sul e sudeste do
Brasil. Essa é uma das principais conclusões do arqueólogo Leandro
Domingues Duran, que há 3 anos pesquisa a Ilha através do projeto de doutorado
“A história submersa: arqueologia subaquática no resgate da história
marítima da Ilha do Bom Abrigo, no litoral sul de São Paulo”. Projeto este
realizado no âmbito de um programa de pesquisa do Museu de Arqueologia e
Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP), intitulado “Programa
Arqueológico do Baixo Vale do Ribeira”, que é coordenado pela Profa. Dra.
Maria Cristina Mineiro Scatmachia.
Duran,
que está em fase de finalização de suas pesquisas, explica que seu projeto é
analisar a Ilha como um todo, como um artefato histórico ligado ao
desenvolvimento da sociedade imperial e colonial do Brasil, especialmente da área
de Cananéia e Iguape. “Acredito que minha pesquisa vai contribuir para uma
melhor compreensão da sociedade brasileira. As minhas primeiras conclusões são
que a Ilha do Bom Abrigo foi um elemento imprescindível para a formação e
desenvolvimento dessa região”, esclarece. Isso porque até hoje a Ilha do Bom
Abrigo é o ponto preferido por ser o mais seguro entre Santos e Paranaguá.

As embarcações que ainda hoje utilizam como abrigo a enseada da Ilha
Foto de Gloria Tega |
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A
pesquisa do arqueólogo, que também é membro do Centro
de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática do Núcleo de Estudos e
Pesquisas Ambientais da Universidade
Estadual de Campinas - CEANS/NEPAM/UNICAMP, contou com várias etapas
arqueológicas de campo, tanto terrestres como subaquáticas. “O primeiro sítio
previamente identificado na Ilha, através de registros históricos e investigação
material, foi a Armação de Baleia,
que era uma espécie de “fábrica” de azeite de baleia, utilizado
principalmente como combustível para iluminação, isso da segunda metade do século
XVIII até a primeira metade do século XIX. Foram realizadas também prospecções
geofísicas que incluíram todo o contorno da ilha, com ênfase ao lado norte e
sudoeste, onde concentraram-se as atividades náuticas da Ilha. Em janeiro deste
ano as pesquisas arqueológicas subaquáticas puderam identificar e comprovar o
sítio depositário da enseada da Ilha do Bom Abrigo. Assim, através desses
resultados iniciais eu pude concluir esse grande papel no desenvolvimento da
região”, explica Duran.
Leandro
Domingues Duran pretende encerrar suas pesquisas ainda neste ano,
contando ainda com mais uma etapa de
campo na área da Armação de Baleia.

As ruínas da Armação de Baleia escondidas pela vegetação
Foto de Gloria Tega |
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