Lançado
Lançado,
em Laguna, SC, no dia 17 de junho de 2004, durante o IIº Encontro IPHAN e Arqueólogos,
o chamado "Livro
Amarelo" tem a difícil missão de barrar a destruição que avassala o
Patrimônio Cultural Subaquático Brasileiro.
O documento, que é uma espécie de cartilha sobre
arqueologia subaquática, busca sensibilizar e oferecer informações
consistentes para a discussão da questão pela sociedade. Segundo Gilson
Rambelli, pioneiro da arqueologia subaquática no Brasil, os primeiros objetivos
já foram alcançados na ocasião de seu lançamento. "A repercussão foi
fantástica, pois como o tema não é tratado de forma clara, observamos o
desconhecimento das pessoas e, algumas delas, acreditavam que não era possível
fazer arqueologia embaixo d’água com a mesma seriedade que se faz em superfície.
Assim, de imediato, conseguimos esclarecer alguns pontos" conta.
Terminantemente contra a Lei
10.166/00 de 27 de dezembro de 2000 que atribui valores e possibilita a
comercialização dos bens culturais submersos, os arqueólogos subaquáticos
brasileiros esperaram que as mesmas leis que protegem os sítios emersos sejam
aplicadas aos sítios submersos. "Pelo fato de estarem envolvidos com as
lendas (imaginário coletivo) dos tesouros perdidos, os sítios submersos foram
submetidos a uma abordagem comercial. A lei 10.166/00 fala de um sítio arqueológico
como se fosse uma área de exploração comercial, atribuindo percentuais de
recompensa e valor de mercado internacional. Isso tem de ser mudado, precisamos
vencer o lobby político poderosíssimo que fez aprovar uma lei que fere a própria
Constituição Nacional", defende Rambelli.
A sociedade espera que as autoridades ouçam a
comunidade científica para que, então, o texto da lei 10.166/00 possa ser
refeito. Mas, até que isso ocorra, resta ao Livro Amarelo a missão de tentar
fazer o que os órgãos protetores do Patrimônio Cultural Subaquático
Brasileiro não fazem: PROTEGER!