Leandro Domingues Duran
Leandro
Domingues Duran [1]
Mestre
em história pela FFLCH/USP
Doutorando
em arqueologia do MAE/USP
O livro de autoria de Gilson
Rambelli, “Arqueologia até debaixo d’água”,
caracteriza-se, antes de tudo, como um texto de apresentação e divulgação de
uma “modalidade” arqueológica ainda recente ou mesmo “nascente”, dentro
do cenário científico nacional: a arqueologia subaquática. Neste sentido, o
livro já traz em si uma contribuição inerente que emana de todas aquelas
obras que se dignam tratar de temas inéditos ou pouco difundidos. Com isto
queremos dizer também, que o livro de Rambelli vêm preencher uma lacuna
injustificada dentro da literatura nacional especializada, que ignorou, até o
presente momento, esse “braço” do conhecimento arqueológico. Entretanto, o
texto não é elaborado apenas para uma minoria especializada, mas sim, para
todos aqueles que, por alguma razão, sentem-se atraídos pela temática, sejam
eles arqueólogos, professores, estudantes, mergulhadores ou mesmo o público em
geral. Por isso, o texto apresenta uma linguagem acessível, sem cair nos
meandros do academicismo.
Do ponto de vista de seu conteúdo, o livro aborda de forma sucinta, porém
competente, todas as etapas envolvidas no processo de produção do conhecimento
arqueológico subaquático. Assim, Rambelli nos ensina que na arqueologia subaquática,
os rigores e as etapas do trabalho arqueológico são os mesmos daqueles
praticados nas pesquisas em terra, sendo a única alteração, a adequação de
métodos e técnicas arqueológicas ao ambiente aquático. Como não poderia
deixar de ser, o autor descreve alguns desses métodos e técnicas que se
encontram disponíveis e vêm sendo utilizados atualmente pelos arqueólogos
subaquáticos em todo o mundo. O autor não esquece de incluir, ainda, uma
discussão mais ampla sobre o desenvolvimento da prática do mergulho e da própria
arqueologia subaquática. Algo latente no livro é a preocupação de Rambelli
com o desenvolvimento de uma consciência de preservação do patrimônio
arqueológico submerso que, como se observa na importante coletânea de legislação
que acompanha o livro, não apenas não vêm tendo a mesma atenção dispensada
para com sua contraparte terrestre, como se encontra em risco iminente de
destruição, tanto por parte dos saques desenfreados, quanto por conta do
posicionamento equivocado assumido pelo governo brasileiro no que tange à sua
política de preservação de bens submersos. Em suma, talvez a única reparação
a ser feita com relação ao livro de Gilson Rambelli
seja o simples fato dele não
ter sido publicado com uma maior antecedência.
Leandro
Domingues Duran
Mestre
em história pela FFLCH/USP
Doutorando
em arqueologia do MAE/USP